LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Apócrifos

Primeira Apologia de Justino

Apologia Cristã

67 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 1, The First Apology, Marcus Dods and George Reith, 1885 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 1, The First Apology, Marcus Dods and George Reith (1885) · domínio público

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Autoria, data e contexto

A Primeira Apologia foi redigida em grego pelo filósofo e mártir cristão Justino de Flavia Neápolis (antiga Siquém, Samaria). A obra é formalmente endereçada ao imperador romano Antonino Pio, a seus filhos adotivos Marco Aurélio (o Filósofo) e Lúcio Vero, ao Senado e a todo o povo romano.

A datação mais aceita pelos patrólogos situa o texto entre 150 e 155 d.C., com base em referências internas explícitas: Justino menciona que já se passaram 150 anos desde o nascimento de Cristo, alude à heresia já difundida de Marcião de Sínope e menciona Munácio Félix como prefeito do Egito (em funções documentadas por papiros de Oxirrinco por volta de 151 a 154 d.C.).

Estrutura

O tratado é composto por 67 capítulos (frequentemente acrescido de um capítulo 68 com o rescrito do imperador Adriano a Minúcio Fundano), estruturado em três movimentos principais.

O primeiro bloco (capítulos 1 a 12) apresenta o exórdio e a exigência jurídica de um julgamento imparcial, refutando as acusações de ateísmo, sedição política e imoralidade popular imputadas aos cristãos. O segundo bloco (capítulos 13 a 60) desdobra a exposição teológica da fé: o mistério do Logos encarnado, a moralidade elevada e os mandamentos de Cristo, o argumento apologético central baseado no cumprimento meticuloso das profecias veterotestamentárias na vida, morte e ressurreição de Jesus, além da crítica à mitologia e aos cultos pagãos explicados como imitações corruptas inspiradas por demônios. O terceiro bloco (capítulos 61 a 67) descreve pormenorizadamente a práxis litúrgica e comunitária cristã: o batismo, a Eucaristia e a assembleia dominical regular.

Temas e passagens-chave

Entre os temas centrais destacam-se a doutrina do Logos Spermatikos (onde germes de verdade presentes na filosofia helênica encontram sua plenitude na revelação de Cristo), a primazia da ética evangélica (castidade, caridade ativa, desapego financeiro e oração pelos perseguidores) e a primeira descrição litúrgica sistemática do batismo e da Eucaristia no cristianismo pré-niceno.

No capítulo dois, reivindicando a integridade inabalável dos fiéis perante a arbitrariedade dos tribunais imperiais, Justino afirma: "For as for us, we reckon that no evil can be done us, unless we be convicted as evil-doers or be proved to be wicked men; and you, you can kill, but not hurt us."

Resumo por partes

Petição jurídica e defesa contra calúnias (capítulos 1-12): Justino requer que os cristãos sejam julgados por suas ações concretas e não pelo simples fato de ostentarem um nome; demonstra que os discípulos de Jesus adoram o Deus verdadeiro, pagam com prontidão todos os impostos devidos ao Estado e buscam não um reino terreno ou sedicioso, mas o reino eterno junto a Deus.

O mistério do Logos e o testemunho profético (capítulos 13-60): Explica-se que Jesus Cristo é o Filho e Verbo de Deus encarnado, rejeitando sacrifícios cruentos de animais em favor da adoração racional em prece e ação de graças; demonstra-se que as profecias hebraicas anteciparam com exatidão a concepção virginal, as curas, a paixão sob Pôncio Pilatos, a rejeição judaica e a conversão universal dos gentios.

A iniciação batismal e a liturgia dominical (capítulos 61-67): Descreve-se o batismo com água invocando a Trindade como banho de regeneração e iluminação; detalha-se a oração comum seguida pelo ósculo santo e a consagração eucarística do pão, vinho e água, distribuídos pelos diáconos e enviados aos ausentes; relata-se a reunião no dia do sol (domingo), na qual se leem as memórias dos apóstolos e os profetas, seguindo-se a homilia do presidente e a coleta voluntária destinada a órfãos, viúvas e necessitados.

Recepção

A Primeira Apologia exerceu influência determinante na apologética cristã subsequente, sendo utilizada e referida por autores como Taciano, Ireneu de Lião, Tertuliano e Eusébio de Cesareia na sua História Eclesiástica (IV, 18). Seus relatos sobre a Eucaristia e o domingo tornaram-se fontes documentais fundamentais para a história da liturgia cristã antiga.

A transmissão manuscrita grega integral depende primordialmente do Codex Parisinus graecus 450 (datado de 1364), do qual deriva o Codex Claromontanus 82 (de 1571). O texto recebeu sua edição crítica pioneira por Robert Estienne em Paris (1551), seguida pela edição beneditina de Dom Prudent Maran (1742), pela coleção monumental de J. C. T. von Otto no Corpus Apologetarum Christianorum Saeculi Secundi (1876) e pela edição em inglês de Alexander Roberts e James Donaldson nos Ante-Nicene Fathers (1885).

Fontes

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