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Apócrifos

Atos de Pedro e André

Atos Apócrifos

1 capítulo · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Alexander Walker, 1886 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Alexander Walker (1886) · domínio público

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Autoria, data e contexto

Os Atos de Pedro e André constituem uma narrativa apócrifa anônima escrita originalmente em grego koiné. A obra apresenta-se como sequência direta dos Atos de André e Matias na Cidade dos Antropófagos, compartilhando os mesmos personagens secundários, como Alexandre e Rufo.

Críticos textuais como Richard Adelbert Lipsius, Max Bonnet e Montague Rhodes James situam a redação da obra entre os séculos IV e V d.C. no Oriente grego ou no Egito bizantino. Afastando-se das especulações gnósticas ou encratitas que caracterizavam os Atos de André primitivos do século II atribuídos ao círculo de Leúcio Carino, este escrito reflete o gosto da piedade cristã popular tardia por narrativas folclóricas de prodígios deslumbrantes, moralismo ascético e defesa da esmola aos necessitados.

Estrutura

O relato forma uma narração ininterrupta em capítulo único nos manuscritos, sendo subdividido em vinte e três seções numeradas na edição padrão de M. R. James de 1924.

O enredo desdobra-se em quatro episódios consecutivos: o reencontro dos apóstolos na montanha e a aparição de Jesus sob a forma de uma criança que os envia à cidade dos bárbaros (seções 1 e 2); o milagre agrícola da colheita instantânea de trigo e o castigo milagroso da mulher nua nos portões urbanos (seções 3 a 12); o confronto doutrinário com o rico Onesíforo e a execução física do prodígio do camelo atravessando o fundo de uma agulha (seções 13 a 19); e a conversão de Onesíforo, o batismo coletivo de mil almas e a fundação do mosteiro de virgens (seções 20 a 23).

Temas e passagens-chave

Os temas centrais englobam a literalização dramatizada de sentenças do Evangelho (em particular a metáfora de Mateus 19:24 sobre o camelo e o fundo da agulha), a severa renúncia das riquezas mundanas, a pureza virginal e o papel indispensável da graça sacramental batismal para a realização de prodígios em nome de Deus.

Ao repreender a busca de atalhos e reiterar a fé no poder divino absoluto, Pedro instrui o crente no capítulo dezesseis da versão de James: "Nothing is impossible with God rather bring a needle with a small eye."

Resumo por partes

A reunião apostólica e o mandato divino (seções 1-2): Após escapar com vida da cidade dos canibais em uma nuvem de luz, André reencontra Pedro, Matias, Alexandre e Rufo no alto de uma montanha. Cristo se manifesta com a aparência de um menino de doze anos vestido com túnica de linho, ordenando-lhes que preguem com intrepidez na cidade dos bárbaros com a garantia de socorro celestial.

O cultivo miraculoso e a armadilha na porta da cidade (seções 3-12): Perto dos muros, os apóstolos substituem um agricultor idoso na charrua enquanto este busca pão; ao semearem os grãos com bênçãos, o trigo cresce e amadurece de imediato. Espantados com o prenúncio dos missionários galileus, os governantes locais colocam uma cortesã despida no portão como cilada moral; por prece de André, o arcanjo Miguel ergue a mulher pelos cabelos nos ares, libertando-a apenas após a entrada apostólica e a cura de enfermos na cidade.

O desafio de Onesíforo e o camelo na agulha (seções 13-19): O nobre abastado Onesíforo exige sinais portentosos para crer e agride os apóstolos quando exortado a abandonar seus bens. Pedro evoca a palavra do Salvador sobre a dificuldade de salvação dos ricos, e Onesíforo exige que um camelo real passe pelo orifício de uma agulha de costura. Pedro crava uma pequena agulha no solo e comanda o quadrúpede em nome de Cristo crucificado; o orifício dilata-se como um portal e o camelo passa duas vezes diante de toda a praça.

O batismo comunitário e a consagração da Igreja (seções 20-23): Deslumbrado, Onesíforo decide libertar seus escravos e doar vinte e sete libras de ouro e cinquenta de prata aos pobres. Ao tentar fazer o camelo passar por conta própria, o animal trava no pescoço porque o nobre ainda não recebera o selo de Cristo. Naquela noite, mil convertidos são batizados em sua residência; a mulher outrora suspensa nos ares entrega sua casa para acolher um mosteiro de virgens, e os apóstolos ordenam sacerdotes para a nova congregação.

Recepção

Os Atos de Pedro e André nunca foram aceitos no cânon do Novo Testamento, enquadrando-se nas proscrições da literatura apócrifa apostólica tardia no Ocidente pelo Decreto Gelasiano. No entanto, o texto circulou amplamente na piedade monástica e popular do Oriente cristão grego, copta e eslavo antigo como leitura edificante para festividades litúrgicas.

A tradição grega preservou-se em manuscritos bizantinos como o Codex Baroccianus 180 da Biblioteca Bodleiana de Oxford (publicado em parte por Constantin von Tischendorf em 1851 em Acta Apostolorum Apocrypha). A primeira tradução inglesa de relevo foi editada por Alexander Walker em 1886 na série Ante-Nicene Fathers (vol. 8), seguida pela reconstituição crítica integral de M. R. James em The Apocryphal New Testament (1924).

Fontes

Dossiê

Um episódio curto: Pedro e André pregam numa cidade onde um homem rico quer segui-los, e a passagem do camelo pelo fundo da agulha é levada ao pé da letra.

De onde vem este texto

Grego, de datação incerta. Parece a continuação dos Atos de André e Matias, e não faz parte dos Atos de André do século II.

Por que não está na Bíblia

Fora de todos os cânones.

Datação, manuscritos e recepção

Os Atos de Pedro e André são um texto curto, classificado como romance heroico: entretém mais do que ensina doutrina. Ele parece a continuação direta dos Atos de André e Matias, pois começa onde aquela história termina, com os dois apóstolos saindo da cidade dos comedores de homens.

O trecho mais conhecido é a passagem literal do camelo pelo fundo da agulha, que vira o provérbio de Mateus 19:24 ao avesso: em vez de imagem de impossibilidade, o milagre acontece em cena. As introduções acadêmicas tratam o texto como literatura popular de missão, sem pretensão histórica.

O que você vai encontrar

  • O camelo passa mesmo pelo fundo de uma agulha, duas vezes, para provar o ponto.
  • O rico Onesíforo desafia os apóstolos e acaba convertido pelo próprio milagre que pediu.

Perguntas frequentes

Este texto explica o camelo e o fundo da agulha?
Ele encena a frase literalmente: o milagre acontece de verdade na narrativa. É leitura devocional de uma imagem que os evangelhos usam como hipérbole.

Fontes

  • A. Roberts & J. Donaldson (eds.), Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing, 1886). (Acts of Peter and Andrew).
  • M. R. James, The Apocryphal New Testament (Oxford: Clarendon Press, 1924).
  • T. Burke, «Acts of Peter and Andrew», e-Clavis: Christian Apocrypha (NASSCAL), verbete e bibliografia.

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