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Autoria, data e contexto
O Codex Sinaiticus (designado pela letra hebraica Aleph ou 01) é um dos mais célebres manuscritos unciais em pergaminho da Bíblia cristã em grego koiné. A investigação paleográfica liderada por H. J. M. Milne e T. C. Skeat no Museu Britânico identificou o trabalho de três escribas principais (denominados A, B e D), que copiaram o texto em meados do século quarto d.C., por volta de 330 a 360 d.C., provavelmente em Cesareia Marítima ou Alexandria.
A encomenda insere-se na era da oficialização do cristianismo sob Constantino ou Constâncio II, quando grandes volumes bíblicos foram produzidos em folhas de pele bovina ou ovina de altíssima qualidade. Anotações marginais de corretores do século sexto e sétimo ligam o códice à biblioteca cesariense de Pânfilo e Eusébio, antes de seu recolhimento secular no Mosteiro de Santa Catarina, no monte Sinai.
Estrutura
O códice organiza-se materialmente em cinco grandes divisões bibliográficas que condensam a totalidade do cânon bíblico da Antiguidade tardia.
A primeira divisão compreende os livros históricos da Septuaginta (do Gênesis a Crônicas, Esdras-Neemias, Ester, Judite, Tobias e 1 e 4 Macabeus). A segunda seção reúne os livros poéticos e sapienciais (Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria de Salomão, Sirácida e Jó), grafados em duas colunas por página. A terceira divisão engloba o corpus profético, incluindo os Doze Profetas Menores, Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel. A quarta parte traz o Novo Testamento integral com os vinte e sete livros, dispondo a Epístola aos Hebreus antes das pastorais paulinas. A quinta parte anexa a literatura patrística venerada, contendo a íntegra da Epístola de Barnabé e fragmentos extensos do Pastor de Hermas.
Temas e passagens-chave
O manuscrito reflete a primazia do tipo textual alexandrino no Novo Testamento, caracterizado pela sobriedade e brevidade em confronto com expansões bizantinas tardias. Entre suas singularidades textuais notáveis, omite o final longo de Marcos (Marcos 16:9-20), a perícope da mulher adúltera (João 7:53-8:11) e a agonia do suor de sangue (Lucas 22:43-44).
No pórtico joanino preservado no fólio duzentos e cinquenta e quatro, o escriba registrou a fórmula incisiva: 'No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.'
Resumo por partes
Oitotêuco e Crônicas veterotestamentárias (divisão 1): Fragmentos remanescentes do Pentateuco e a série de crônicas e narrativas deuterocanônicas de Judite e Macabeus testemunham a abrangência da Bíblia grega da Igreja primitiva.
Poesia lírica e reflexão sapiencial (divisão 2): Salmos davídicos e provérbios régios surgem dispostos em elegantes linhas estróficas, exaltando a sabedoria divina e o sofrimento paciente de Jó em formato de duas colunas.
Oráculos proféticos maiores e menores (divisão 3): As advertências de Isaías e Jeremias denunciam a apostasia histórica e prenunciam o Messias, complementadas pelas visões apocalípticas de Daniel com adições gregas.
O Cânon do Novo Testamento (divisão 4): A mais antiga cópia completa dos quatro Evangelhos, do epistolário de Paulo, Atos dos Apóstolos, epístolas universais e o Apocalipse de João em grafia uncial contínua sem pontuação moderna.
O apêndice dos Padres Apostólicos (divisão 5): Barnabé polemiza com o judaísmo tradicional reinterpretando a circuncisão e a aliança, enquanto o Pastor de Hermas apresenta visões penitenciais de virtudes cristãs.
Recepção
O manuscrito foi reencontrado em três visitas de Konstantin von Tischendorf ao Mosteiro de Santa Catarina em 1844, 1853 e 1859. Quarenta e três folhas foram depositadas na Universidade de Leipzig sob o nome Codex Friderico-Augustanus, enquanto o corpo maior (347 fólios) foi ofertado ao czar Alexandre II da Rússia e guardado na Biblioteca Imperial de São Petersburgo.
Em 1933, a União Soviética vendeu seu lote ao Museu Britânico por cem mil libras esterlinas. Novas folhas foram achadas no Sinai em 1975, e em 2009 o projeto internacional Codex Sinaiticus Project reuniu virtualmente todos os fólios dispersos em Londres, Leipzig, São Petersburgo e no Monte Sinai.
Fontes
- Francis Gigot, The Sinaitic Manuscript (The Catholic Encyclopedia) (1908).
- Encyclopaedia Britannica, Codex Sinaiticus: Earliest Known Biblical Manuscript (2026).