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Autoria, data e contexto
A Doutrina de Addai apresenta a origem da comunidade cristã de Edessa por meio da correspondência entre o rei Abgar e Jesus e da missão de Addai após a ressurreição. O relato atribui seu registro a Labubna, escriba do rei, mas essa é uma afirmação interna da narrativa, não identificação comprovada do redator. Sua forma siríaca é posterior aos acontecimentos que encena: o prefácio da edição de George Phillips observa referências a obras e tradições posteriores ao suposto tempo de Addai.
Estrutura do capítulo único nesta edição
O arquivo local reúne a obra em um capítulo extenso, sem divisões numeradas internas. Primeiro vêm a carta de Abgar, a resposta de Jesus e o retrato atribuído a Hannan. Seguem a chegada de Addai, as curas e a pregação pública em Edessa. A parte final narra a organização da comunidade, as instruções de despedida e o registro dos acontecimentos pelos oficiais do rei.
Temas e passagens-chave
A troca de mensagens liga a cidade a Jesus antes da chegada do missionário; as curas dão credibilidade à pregação diante do rei. O discurso de Addai dirige-se a judeus e não judeus reunidos, enquanto suas instruções aos ministros insistem no cuidado da comunidade. A presença do retrato de Jesus distingue esta versão do relato da correspondência de Abgar preservado por Eusébio.
Resumo por partes
Abertura: Abgar escreve a Jesus depois de ouvir sobre suas curas. A resposta promete o envio de um discípulo; Hannan retorna com a mensagem e uma imagem.
Centro: Addai chega a Edessa, cura o rei e fala diante da cidade. O relato associa conversões e abandono de cultos anteriores à consolidação da nova comunidade.
Final: Addai instrui dirigentes, estabelece sucessores e morre. Labubna e Hannan aparecem como responsáveis pelo registro e pela guarda da história na narrativa.
Recepção, cânon e manuscritos
Eusébio já transmitia uma versão da história de Abgar, mas Phillips ressalta diferenças em relação à Doutrina siríaca, inclusive o retrato. Na edição de 1876, Phillips descreveu um manuscrito siríaco completo então guardado em São Petersburgo e outro, incompleto, no Museu Britânico. A obra é uma tradição cristã de Edessa e não faz parte do cânon do Novo Testamento.
Fontes
- George Phillips (ed. e trad.), The Doctrine of Addai: Preface (1876).
- George Phillips (trad.), The Doctrine of Addai: English Translation (1876).