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Apócrifos

Fragmentos Antigos

Oração de José, Eldade e Medade

2 capítulos · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: The Lost Apocrypha of the Old Testament (London: SPCK), M. R. James, 1920 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: The Lost Apocrypha of the Old Testament (London: SPCK), M. R. James (1920) · domínio público

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Autoria, data e contexto

A compilação de Fragmentos Antigos reúne remanescentes textuais de dois escritos apócrifos perdidos do judaísmo do Segundo Templo: a Oração de José (Prayer of Joseph) e o Livro de Eldade e Medade (Eldad and Modad). Compostas sob pseudonímia piedosa em círculos judaicos de língua semítica ou grega entre o século I a.C. e o século I d.C., as duas obras circularam no Oriente bíblico antes da destruição do Templo de Jerusalém.

Orígenes de Alexandria (c. 185-253 d.C.) resgatou longos excertos da Oração de José em seu Comentário sobre o Evangelho de São João (Livro II, cap. 25), classificando-a como escrito de considerável apreço entre os hebreus. Por sua vez, o autor cristão romano do Pastor de Hermas (Visão II, cap. 3) recorreu solenemente à autoridade profética de Eldade e Medade em meados do século II, atestando a presença dessa literatura na liturgia e na catequese das comunidades primitivas.

Estrutura

O conjunto apresenta-se organizado em dois capítulos autônomos, totalizando onze versículos de alta densidade teológica conforme as reconstruções patristicistas consagradas.

O capítulo primeiro (composto por sete versículos) compreende a teologia visionária da Oração de José: a revelação de que Jacó é o arcanjo pré-existente Israel, seu confronto cósmico contra o anjo Uriel ao assumir a condição terrena na Mesopotâmia e a menção aos decretos selados nas tábuas celestes. O capítulo segundo (abrangendo quatro versículos) preserva o oráculo de Eldade e Medade: a proclamação da misericórdia divina para com os que retornam a Deus, a repreensão aos hesitantes e a célebre alegoria botânica da videira que passa pelo inverno antes de produzir seus frutos abundantes.

Temas e passagens-chave

Sobressaem os temas da angelologia mística judaica primitiva (com a surpreendente concepção de patriarcas pré-existentes como arcanjos primordiais diante de Deus), a autoridade transcendente dos segredos celestes e a consolação escatológica diante das demoras temporais.

Citando a autoridade desse apócrifo para fortalecer a perseverança dos santos em Roma, o Pastor de Hermas registra textualmente: "The Lord is near to them who return unto Him, as it is written in Eldad and Modat, who prophesied to the people in the wilderness."

Resumo por partes

A dignidade arcanjélica de Israel (capítulo 1): O patriarca Jacó assevera aos seus ouvintes ser um anjo de Deus e espírito governante gerado antes de qualquer criatura; ao descer à terra sob forma mortal, é invejado e confrontado pelo arcanjo Uriel, a quem subjuga revelando-lhe sua posição subordinada na hierarquia divina e invocando o Nome incombustível do Todo-Poderoso registrado nas tábuas do céu.

Esperança perseverante e consolo profético (capítulo 2): O oráculo desértico afiança que o Criador acolhe prontamente aqueles que se convertem de coração; refuta o desânimo dos que murmuram dizendo que os pais envelheceram sem presenciar as promessas celestes, ensinando por meio da videira que a aridez transitória precede a maturação esplêndida da salvação prometida ao povo eleito.

Recepção

Ambos os opúsculos exerceram influência notável no cristianismo formativo: Eldade e Medade foi citado com reverência de escritura em Roma no Pastor de Hermas e ecoado na literatura clementina (1 Clemente 23 e 2 Clemente 11), figurando ainda em catálogos canônicos bizantinos como a Esticometria de Nicéforo (onde lhe são atribuídos quatrocentos esticos); a Oração de José foi debatida minuciosamente por Orígenes para ilustrar a natureza angelical de João Batista e citada na Filocalia alexandrina.

Apesar de banidos pelo cânon rabínico e pelo Decreto Gelasiano ocidental, seus fragmentos foram preservados nas citações patrísticas e resgatados criticamente pelo filólogo Montague Rhodes James em The Lost Apocrypha of the Old Testament (1920), com base nos textos recolhidos nas coleções de The Ante-Nicene Fathers (volumes 2 e 9).

Fontes

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