Ouvir este estudo
Autoria, data e contexto
As Atas dos Mártires Escilitanos apresentam um interrogatório em Cartago sob o procônsul Saturnino, no dia 17 de julho, durante o consulado de Presente pela segunda vez e Claudiano. A data consular corresponde a 180 d.C. O redator não é identificado. O texto conserva a forma de um diálogo judicial breve e termina com a execução de cristãos vindos de Escílio, na África romana. A Catholic Encyclopedia o apresenta entre os testemunhos mais antigos de martírio cristão dessa região.
Estrutura do capítulo único
O arquivo deste acervo possui um capítulo. Primeiro são apresentados seis acusados pelo nome e a oferta de clemência. Segue a discussão sobre jurar pelo gênio do imperador, a identidade cristã e os livros guardados por Esperato. Saturnino oferece prazo para reconsideração; após nova recusa, lê a sentença. A proclamação final amplia a lista de nomes e encerra a narrativa com a morte dos condenados.
Temas e passagens-chave
Esperato diz que paga tributos e rejeita roubo e falso testemunho: o conflito relatado não é uma recusa geral da vida civil, mas do ato religioso exigido pelo procônsul. Donata distingue a honra devida a César do temor devido a Deus. A pergunta sobre a caixa de Esperato traz a referência a livros e cartas de Paulo, dado importante para a circulação de escritos cristãos. O prazo oferecido por Saturnino e a recusa coletiva mostram que a decisão se repete antes da sentença.
Resumo por partes
Início: Esperato, Nárzalo, Citino, Donata, Segunda e Véstia comparecem perante Saturnino. Ele propõe indulgência se abandonarem sua posição e pede um juramento ligado ao imperador. Esperato responde com sua conduta, sua fé e o pagamento de impostos; outras acusadas também afirmam sua identidade cristã.
Desfecho: O procônsul pergunta pelo conteúdo da caixa, e Esperato menciona livros e epístolas de Paulo. Saturnino concede trinta dias para pensar, mas os acusados reafirmam sua decisão. A sentença ordena a morte pela espada; o arauto nomeia outros companheiros, e o relato fecha com ações de graças e uma conclusão de louvor.
Recepção e transmissão
A tradução de J. Armitage Robinson reproduzida no New Advent preserva a sequência do diálogo e a lista ampliada no fim. A notícia enciclopédica de 1912 fala dos seis nomeados no julgamento; a lista final da própria ata é mais extensa. Essa diferença interna impede reduzir o grupo inteiro aos seis nomes da abertura. A obra é literatura de martírio cristão antigo, não um livro do cânon bíblico.
Fontes
- J. Armitage Robinson, The Passion of the Scillitan Martyrs (1896).
- Maurice Hassett, Martyrs of Scillium (1912).