LUX VERITAS

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Verbete do dicionário

אֱלֹהִים

Elohim

O nome genérico de Deus, gramaticalmente plural.

Forma e sentido. Elohim é uma forma hebraica plural relacionada a eloah e el; em Gênesis 1:1 designa o Deus que cria e aparece com verbo singular. Brown-Driver-Briggs distingue esse emprego das menções a deuses alheios e a outros seres celestiais. A Jewish Encyclopedia observa que a origem última da palavra não foi estabelecida: aproximá-la de outros nomes semíticos não prova uma etimologia definitiva. Sua frequência, superior a duas mil e quinhentas ocorrências segundo o levantamento do léxico, faz de “Deus” uma tradução habitual, mas não suficiente para todos os contextos. É preciso observar concordância, palavras acompanhantes e situação narrativa antes de escolher singular ou plural. [Brown-Driver-Briggs, hebraico 430; Jewish Encyclopedia, “Names of God”]

O início de Gênesis. Gênesis 1:1 combina a forma plural elohim com o verbo singular “criou”. Ao longo do capítulo, o relato apresenta um só agente divino que fala, avalia e ordena. Gênesis 1:26 traz “façamos”, forma plural que recebeu explicações diferentes: deliberação divina, fala dirigida a uma corte celestial ou leitura teológica posterior. O versículo seguinte retorna ao singular ao narrar que Deus criou a humanidade. Não se deve deduzir do plural do substantivo, por si só, uma doutrina cristã posterior; tampouco negar que o texto tenha provocado essas interpretações. A Jewish Encyclopedia descreve o emprego de elohim como designação divina e Brown-Driver-Briggs registra as construções concretas. Gramática e história da recepção precisam ser examinadas separadamente. [Gênesis 1:1, 26-27; Brown-Driver-Briggs, hebraico 430; Jewish Encyclopedia, “Names of God”]

Diversidade de referentes. Êxodo 20:3 proíbe ter “outros deuses”, usando a mesma palavra em contexto claramente plural. Em Êxodo 32:4, a frase sobre o bezerro pede atenção à cena e às formas verbais antes da tradução. Deuteronômio 10:17 chama o Deus de Israel de “Deus dos deuses”, construção que contrapõe título e categoria. Salmos 82:1 coloca elohim em uma assembleia e volta a usar a palavra para os destinatários do julgamento em 82:6. Há debate sobre serem divindades, juízes humanos ou figuras compreendidas de outro modo. Brown-Driver-Briggs enumera possibilidades e a Jewish Encyclopedia discute os nomes divinos. Afirmar que a palavra significa sempre “o Deus único” apagaria contrastes explícitos dessas passagens. [Êxodo 20:3; Deuteronômio 10:17; Salmos 82:1, 6; Brown-Driver-Briggs, hebraico 430]

Nome e título. Elohim funciona como designação de Deus, enquanto YHWH é o nome próprio representado por quatro consoantes no texto hebraico. Gênesis 2:4 combina ambos em YHWH Elohim. Isso não autoriza tratá-los como termos idênticos nem imaginar dois deuses a cada ocorrência. A Jewish Encyclopedia nota que a distribuição dos nomes teve importância nos estudos históricos de Gênesis. Pesquisadores debatem a formação dos relatos e o valor da alternância, propondo análises literárias diferentes. A distinção entre nome próprio e título continua útil mesmo quando se discute a composição do livro. Uma tradução que escreve “Senhor Deus” mostra a combinação, embora possa ocultar que a primeira palavra representa o tetragrama. [Gênesis 2:4; Jewish Encyclopedia, “Names of God” e “Genesis”]

Poesia e sabedoria. Os Salmos usam elohim em oração, louvor e protesto; Salmos 42:1-2 exprime o desejo de aproximar-se de Deus. Em Jó, o singular eloah aparece com frequência especial, segundo a Jewish Encyclopedia; o repertório de nomes varia entre livros. Salmos 8:5 apresenta uma dificuldade de tradução: o hebraico elohim pode ser entendido como “Deus” ou seres celestiais, e a antiga versão grega optou por anjos. Hebreus 2:7 retoma essa forma grega em seu argumento. A comparação mostra que uma citação posterior pode herdar uma decisão anterior de tradução. O texto hebraico, a versão grega e sua reutilização cristã devem continuar distinguíveis, mesmo quando participam de uma mesma cadeia interpretativa. [Salmos 8:5; 42:1-2; Hebreus 2:7; Brown-Driver-Briggs, hebraico 430]

Segundo Templo e obras antigas. Escritos judaicos posteriores continuaram falando do Deus de Israel e de sua corte celestial, mas nem sempre preservaram a palavra hebraica elohim: várias obras circularam em grego ou aramaico. Jubileus 2:2-3 reconta a criação e menciona seres celestiais; 1 Enoque 14:18-23 descreve uma visão do trono. São paralelos de tema, não prova de que cada palavra desses escritos traduza elohim. Salmos 82 recebeu leituras diferentes em tradições posteriores, e a identidade de seus “deuses” continua discutida. Convém citar a passagem e a língua de cada obra antes de transpor uma definição lexical hebraica para um livro composto em outro idioma. [Jubileus 2:2-3; 1 Enoque 14:18-23; Salmos 82:1-6; Brown-Driver-Briggs, hebraico 430]

No Novo Testamento. Os autores gregos empregam theos, “Deus”, e normalmente não escrevem o termo hebraico elohim. Marcos 12:29 cita a confissão de Deuteronômio 6:4 sobre a unicidade de Deus; a passagem ao grego preserva o argumento, embora mude o vocábulo. João 10:34 cita Salmos 82:6, “eu disse: sois deuses”, e mostra uma leitura cristã de um trecho hebraico debatido. Hebreus 2:7, ao citar Salmos 8:5, segue a versão grega que fala de anjos. Nenhuma dessas citações permite impor automaticamente ao hebraico original todos os sentidos adquiridos no novo contexto. O estudo compara texto hebraico, tradução antiga e argumento neotestamentário, nessa ordem. [Deuteronômio 6:4; João 10:34; Hebreus 2:7; Brown-Driver-Briggs, hebraico 430]

Interpretações posteriores. Alguns intérpretes judeus descreveram elohim como plural de excelência ou majestade para explicar seu sentido singular quando designa a Deus. A Jewish Encyclopedia apresenta essa explicação como provável, sem dizer que resolva todas as construções. Leitores cristãos relacionaram o plural à Trindade, mas essa doutrina foi formulada em debates posteriores e não constitui regra gramatical do hebraico bíblico. A mesma forma pode designar “outros deuses” em Êxodo 20:3; uma explicação teológica única não serve para todos os versículos. Estudos modernos reexaminam paralelos semíticos, corte celestial e composição literária. O dado seguro é mais delimitado: forma plural, usos variados e, frequentemente, concordância singular quando se fala do Deus de Israel. [Jewish Encyclopedia, “Names of God”; Brown-Driver-Briggs, hebraico 430]

Leitura de cada caso. Em Gênesis 1:1, verbo singular e relato da criação sustentam “Deus”; em Êxodo 20:3, “outros” e a proibição sustentam “deuses”. Salmos 82 exige explicar a cena de julgamento e reconhecer a discussão sobre seus participantes. Em Gênesis 2:4 convém distinguir o título elohim do nome YHWH, embora estejam juntos. A frequência da palavra não determina sozinha o sentido de uma frase. Tampouco é possível resolver a questão contando letras ou invocando etimologia supostamente segura que os léxicos não fornecem. O tradutor precisa avaliar gênero, sintaxe e relação com outras passagens; o leitor pode então perceber tanto a continuidade da designação divina quanto sua amplitude semântica. [Brown-Driver-Briggs, hebraico 430; Jewish Encyclopedia, “Names of God”]

Onde aparece

  • Gênesis 1:1
  • Gênesis 2:4
  • Êxodo 20:3
  • Salmos 82:1
  • João 10:34

Fontes