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Verbete do dicionário

ܦܫܝܛܬܐ

Peshitta

A Bíblia siríaca, “a simples”.

Nome e língua. Peshitta é o nome de uma versão bíblica em siríaco clássico, variedade literária do aramaico. O título costuma ser explicado como “simples” ou “comum”, mas isso não torna cada frase da versão uma reprodução imediata da fala do século I. Syriaca.org a cataloga como versão do Antigo e do Novo Testamento, com uma história de edições e manuscritos. O aramaico também aparece em passagens da própria Bíblia, como Daniel 2:4, e o Novo Testamento preserva expressões aramaicas em Marcos 5:41 e 15:34. O siríaco pertence à mesma família linguística, mas é uma tradição escrita distinta e posterior. Por isso, a Peshitta pode ajudar a estudar como leitores siríacos compreenderam esses textos, sem servir sozinha para reconstruir as palavras exatas pronunciadas por Jesus. [Syriaca.org, “Peshitta”; Jewish Encyclopedia, “Peshiṭta”]

Formação e uso. O Antigo Testamento siríaco está ligado a traduções a partir do hebraico; o Novo Testamento siríaco também tem história textual própria. Não há base para datar de uma vez toda a coleção no século II, como sugeria a formulação breve anterior. A Jewish Encyclopedia descreve testemunhos antigos e os limites do que eles permitem provar; Encyclopedia.com distingue a Peshitta de outras formas siríacas antigas e registra sua posição como texto bíblico de comunidades cristãs siríacas. A existência de várias etapas de tradução e revisão explica que “Peshitta” nomeie uma tradição textual, não o trabalho comprovado de uma só pessoa em uma data única. Seus leitores a receberam em igrejas de diferentes ramos e a transmitiram por manuscritos e edições. Essa continuidade de uso tem valor histórico independentemente dos debates sobre a origem de cada livro. [Jewish Encyclopedia, “Peshiṭta”; Encyclopedia.com, “Peshitta”]

Livros e limites. Edições modernas podem incluir livros deuterocanônicos ou apócrifos; o registro bibliográfico de Syriaca.org menciona expressamente uma edição que acrescenta apócrifos. Isso não prova que todo manuscrito antigo da Peshitta tivesse o mesmo conteúdo. Tampouco todos os testemunhos do Novo Testamento siríaco transmitem da mesma forma escritos cuja recepção foi posterior. Comparar uma leitura siríaca de Gênesis 1:1 ou João 1:1 com o hebraico e o grego exige identificar primeiro o manuscrito ou a edição, além do livro e da passagem. Na crítica textual, a versão testemunha como um texto foi traduzido em uma comunidade; uma diferença em relação ao hebraico ou ao grego pode refletir a base utilizada, a escolha do tradutor ou uma revisão posterior. Isso não basta para declarar que o texto siríaco seja o original do Novo Testamento. [Syriaca.org, “Peshitta”; Encyclopedia.com, “Peshitta”]

História de traduções. A Jewish Encyclopedia observa que notícias antigas sobre uma Bíblia siríaca não identificam necessariamente todo o texto hoje chamado Peshitta. Uma menção patrística a Escrituras nessa língua prova circulação e leitura, mas não fixa a data de cada tradução preservada. Antigo e Novo Testamento suscitam questões diferentes: o primeiro se compara principalmente ao hebraico, enquanto o segundo é estudado diante de formas gregas e de outros testemunhos siríacos. Um nome coletivo pode esconder essa diferença. É preciso distinguir a origem de um livro, a data do manuscrito que o transmite e a data da edição impressa. Nenhuma dessas datas substitui automaticamente as demais. Tampouco a antiguidade do idioma determina a idade de cada passagem que nele foi copiada. [Jewish Encyclopedia, “Peshiṭta”; Encyclopedia.com, “Peshitta”]

Tradições do Antigo Testamento. A Jewish Encyclopedia discute ligações da versão siríaca das Escrituras hebraicas com ambientes judaicos e cristãos; apresenta argumentos históricos, não uma assinatura de tradutor preservada em todos os livros. Em Gênesis 1:1, por exemplo, interessa identificar quais palavras siríacas representam as hebraicas, qual a ordem da frase e qual leitura consta do testemunho concreto. O procedimento também vale para os capítulos aramaicos de Daniel. A presença de aramaico em Daniel 2:4 não converte a Peshitta em cópia desse trecho: são variedades e percursos de transmissão diferentes. Títulos e ordem dos livros em cada edição também merecem atenção. Uma diferença de índice pode indicar recepção ou prática editorial, sem informar diretamente a redação inicial do texto bíblico. [Jewish Encyclopedia, “Peshiṭta”; Syriaca.org, “Peshitta”]

Tradições do Novo Testamento. A história siríaca inclui versões antigas e revisões posteriores. Encyclopedia.com situa a Peshitta nesse panorama, de modo que não cabe reunir todos os manuscritos siríacos como se reproduzissem uma tradução invariável. O início do Evangelho de João oferece um exemplo de método: comparar João 1:1 em siríaco e grego requer observar as possibilidades gramaticais de cada idioma. Uma semelhança pode expressar tradução próxima; uma diferença pode ser uma solução idiomática. Nenhuma leitura se torna mais antiga só por estar numa língua semítica. Os ditos aramaicos preservados em Marcos 5:41 e 15:34 exigem outra distinção: o evangelho grego já os transmite dentro de seu relato, ao passo que a versão siríaca traduz o evangelho inteiro. [Encyclopedia.com, “Peshitta”; Syriaca.org, “Peshitta”]

Cânon e circulação. Quando um catálogo descreve uma Peshitta com apócrifos, descreve uma edição ou coleção específica. Uma comunidade pode ler livros adicionais junto da Bíblia, enquanto outra os reúne em volume separado; o título geral não decide sozinho seu estatuto canônico. Quem examina um livro deuterocanônico transmitido em siríaco deve, portanto, indicar a edição, a tradução e a tradição eclesial antes de atribuir uma lista universal à Peshitta. Syriaca.org fornece registros bibliográficos para localizar obras e testemunhos, enquanto as enciclopédias apresentam a história mais ampla. Usar catálogo e síntese em conjunto evita confundir um dado material, como a presença de um livro, com uma conclusão doutrinária sobre todas as igrejas siríacas. [Syriaca.org, “Peshitta”; Encyclopedia.com, “Peshitta”]

Leitura atual. A Peshitta permite observar escolhas de tradução, vocabulário religioso e recepção de passagens bíblicas em comunidades de escrita siríaca. Não substitui o hebraico na explicação de uma palavra da Torá, nem o grego no estudo de uma frase de João. Oferece, contudo, um testemunho antigo e contínuo para comparação. Uma comparação responsável cita livro, capítulo, versículo, edição e, quando conhecido, manuscrito; “a Peshitta diz” geralmente é indicação vaga demais. Divergências entre testemunhos integram a história da transmissão e não são motivo para descartar toda a tradição. Também importa separar a investigação histórica da avaliação religiosa feita por cada comunidade. São perguntas legítimas, mas empregam critérios distintos e podem receber respostas diferentes. [Jewish Encyclopedia, “Peshiṭta”; Syriaca.org, “Peshitta”; Encyclopedia.com, “Peshitta”]

Onde aparece

  • Daniel 2:4
  • Marcos 5:41
  • Marcos 15:34
  • Gênesis 1:1
  • João 1:1

Fontes