LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Verbete do dicionário

LXX

Septuaginta

A tradução grega do Antigo Testamento feita em Alexandria.

Nome e alcance. Septuaginta, abreviada LXX, designa a antiga tradução grega das Escrituras judaicas e, por extensão, o conjunto de livros transmitidos com ela. O nome alude a setenta tradutores, embora a Carta de Aristeias fale em setenta e dois anciãos. Essa diferença já mostra que se trata de uma tradição de origem, não de uma ficha editorial contemporânea. “Septuaginta” pode designar em sentido estrito a tradução da Lei ou, em sentido amplo, uma coleção grega que cresceu com outros livros. Na comparação de leituras, é necessário indicar qual livro, manuscrito e edição está em questão. [Jewish Encyclopedia, “Septuagint”; “Letter of Aristeas”]

O relato de Aristeias. A Carta de Aristeias situa a tradução da Lei em Alexandria, sob Ptolomeu II, e conta que se pediram sábios de Jerusalém. Segundo o relato, seis homens de cada uma das doze tribos somaram setenta e dois. A carta apresenta a obra com reconhecimento real e autoridade religiosa. Historiadores a utilizam como testemunho de como se legitimou a versão grega; seus detalhes narrativos não equivalem, por si, a atas verificáveis de uma comissão tradutora. A Jewish Encyclopedia observa que a história se refere inicialmente ao Pentateuco, enquanto as versões dos demais livros têm uma trajetória mais longa e diversa. [Jewish Encyclopedia, “Letter of Aristeas”; “Septuagint”]

Língua e comunidade. Judeus de Alexandria e de outras comunidades da diáspora podiam ler e falar grego. A tradução da Lei tornou um texto hebraico acessível a leitores cuja vida pública empregava outra língua. A versão não foi apenas ornamento de biblioteca: tornou-se meio de leitura, ensino e discussão das Escrituras. O grego da Septuaginta reflete uma época e diferentes hábitos de tradução; não reproduz mecanicamente cada palavra do hebraico. Uma escolha pode facilitar a compreensão de uma imagem antiga, enquanto outra conserva uma construção difícil. Quem compara duas versões precisa começar por esse trabalho de tradução antes de atribuir qualquer diferença a um erro. [Jewish Encyclopedia, “Septuagint”; “Letter of Aristeas”]

Uma coleção formada em etapas. A tradição dos setenta e dois intérpretes se concentra na Lei de Moisés. Profetas e outros escritos foram traduzidos em períodos e circunstâncias variados; alguns livros preservados em coleções gregas foram compostos diretamente em grego. Por isso, dizer que “a Bíblia inteira foi traduzida numa data só” simplifica demais. Também não cabe tratar cada frase grega como obra do mesmo grupo de tradutores. A Jewish Encyclopedia separa a tradução do Pentateuco da história posterior dos demais livros. Nem o conteúdo dos grandes códices cristãos coincide perfeitamente com uma lista única e universal de obras. LXX dá nome a uma tradição textual ampla. [Jewish Encyclopedia, “Septuagint”; Codex Sinaiticus Project, “Content”]

Uma diferença visível. Salmos 40:6, no texto do site, diz “os meus ouvidos abriste”; Hebreus 10:5 cita a linha com “corpo me preparaste”. A diferença mostra que o autor de Hebreus trabalha com uma forma grega das Escrituras que não coincide literalmente com a tradução do salmo baseada no hebraico. O contexto de Hebreus desenvolve um argumento sobre sacrifício e obediência. É preciso comparar as duas passagens completas e não transformar uma linha em regra para todas as citações do Novo Testamento. Uma divergência pode vir da tradução grega, da transmissão manuscrita ou da forma de citar; cada caso precisa de estudo próprio. [Salmos 40:6; Hebreus 10:5; Jewish Encyclopedia, “Septuagint”]

Isaías e Mateus. Isaías 7:14 e Mateus 1:23 compartilham nas traduções do site a referência à jovem que dará à luz Emanuel. A discussão textual envolve o termo hebraico de Isaías, a palavra grega escolhida pelos tradutores e o emprego da citação por Mateus. Não basta observar que as duas versões modernas dizem “virgem” para reconstruir automaticamente todas as etapas antigas. Mateus aplica a linha a seu relato; Isaías fala numa cena dirigida primeiro a seu próprio tempo. Reconhecer os dois contextos ajuda a explicar a importância da Septuaginta para o Novo Testamento sem afirmar que toda citação cristã apaga o sentido de sua fonte anterior. [Isaías 7:14; Mateus 1:23; Jewish Encyclopedia, “Septuagint”]

Livros preservados em grego. Sabedoria 7:22 mostra a linguagem filosófica e religiosa de um escrito judaico transmitido em grego. Uma coleção bíblica grega podia incluir obras que não ocupam a mesma posição em todos os cânones posteriores. A pergunta sobre livros incluídos e a pergunta sobre palavras de uma tradução são diferentes: um códice ajuda a estudar ambas, mas não as resolve com uma lista ideal. O Codex Sinaiticus Project apresenta o conteúdo de um grande manuscrito cristão antigo e a materialidade dessa transmissão. Chamar Sabedoria de parte da Septuaginta descreve a história das coleções gregas; não diz que foi traduzida pelos anciãos da carta de Aristeias. [Sabedoria 7:22; Codex Sinaiticus Project, “Content”]

Recepção cristã. Autores do Novo Testamento escreveram em grego e frequentemente recorreram a formas gregas das Escrituras. A Igreja antiga continuou lendo essas formas; seus manuscritos preservaram tanto traduções quanto livros transmitidos em grego. A Jewish Encyclopedia também descreve a mudança de atitude de alguns leitores judeus diante da versão à medida que comunidades cristãs a empregavam em debates. Essa história não obriga a imaginar dois grupos com um único texto fixo de cada lado. Havia cópias, revisões e escolhas locais de leitura. Para interpretar uma citação concreta, é preciso perguntar que palavras usa, a que passagem remete e que argumento constrói seu novo autor. [Jewish Encyclopedia, “Septuagint”; Codex Sinaiticus Project, “Content”]

Texto hebraico e grego. O texto massorético é um testemunho hebraico transmitido e vocalizado ao longo de uma história posterior; a Septuaginta é uma família de testemunhos gregos antigos. Diferença entre ambos não prova automaticamente que um inventou um versículo nem que o outro sempre conserva o original. Às vezes o tradutor interpretou um hebraico semelhante; em outros casos pode ter trabalhado com outra forma hebraica. Para decidir, comparam-se manuscritos, gramática e contexto, não só duas traduções modernas. A Bíblia permite notar diferenças entre um salmo e sua citação apostólica, mas não substitui uma edição crítica de todos os testemunhos. Esse limite faz parte da comparação responsável. Também é necessário separar a idade de uma tradução da idade do manuscrito que a preserva: uma cópia tardia pode transmitir uma forma textual anterior, enquanto uma cópia antiga ainda exige exame de variantes. Nenhum único códice representa sozinho todas as comunidades que leram as Escrituras gregas. Por isso, o nome LXX é útil como indicação histórica geral, mas insuficiente para identificar sozinho cada leitura particular. [Jewish Encyclopedia, “Septuagint”; Salmos 40:6; Hebreus 10:5]

Onde aparece

  • Salmos 40:6
  • Hebreus 10:5
  • Isaías 7:14
  • Mateus 1:23
  • Sabedoria 7:22

Fontes