LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Verbete do dicionário

יהוה

YHWH

tetragrama

O Nome próprio de Deus, revelado a Moisés na sarça.

Nome e escrita. YHWH representa quatro consoantes hebraicas, yod, he, waw e he; por isso recebe o nome tetragrama. No texto bíblico funciona como nome próprio do Deus de Israel, não como título genérico para qualquer divindade. A escrita consonantal antiga não guardou uma indicação inequívoca de todas as vogais originais. A vocalização das edições hebraicas medievais responde também a uma prática de leitura: as consoantes escritas e a palavra pronunciada podiam diferir. É preciso distinguir a forma escrita, a leitura litúrgica e as reconstruções acadêmicas de uma pronúncia mais antiga. [Jewish Encyclopedia, “Names of God”; “Adonai”]

A cena de Moisés. Em Êxodo 3:14, Deus responde a Moisés com a expressão que a tradução do site verte como “EU SOU O QUE SOU”. O versículo seguinte identifica o Deus dos antepassados e declara que esse é seu nome lembrado de geração em geração. A expressão de 3:14 e o nome de 3:15 se relacionam na narrativa, mas não são idênticos na forma. Apresentar uma equivalência gramatical absolutamente segura entre ambos iria além do que o trecho diz. O relato vincula o nome à missão de tirar Israel do Egito e à continuidade da relação com Abraão, Isaque e Jacó. [Êxodo 3:14-15; Jewish Encyclopedia, “Names of God”]

Um nome antes da sarça. Gênesis 2:4 já emprega o nome divino na narrativa da criação; Gênesis 4:26 fala de invocá-lo. Êxodo 6:3, porém, apresenta um contraste entre o conhecimento dos patriarcas e a revelação dada a Moisés. Leitores interpretaram essa diferença de várias maneiras: uma distinção entre conhecer um som e experimentar o que o nome promete, ou um sinal de tradições literárias reunidas no Pentateuco. Nenhuma dessas propostas permite apagar um dos textos. O leitor precisa registrar que o modo de narrar de Gênesis e a afirmação de Êxodo 6 colocam uma questão interpretativa real. [Gênesis 2:4; 4:26; Êxodo 6:3; Jewish Encyclopedia, “Names of God”]

Identidade e ação. Êxodo 20:2 liga o nome à saída da servidão; não oferece uma definição abstrata separada da história do povo. Êxodo 34:6-7 o repete numa proclamação que menciona misericórdia, paciência e justiça. Isaías 42:8 volta a associar nome e glória e rejeita sua entrega a imagens. Esses contextos mostram por que uma tradução que imprime “Senhor” transmite um título compreensível, embora esconda do leitor a diferença entre o nome próprio e a palavra hebraica adonai. Quando um mesmo trecho reúne ambos os termos, a distinção é especialmente útil para compreender como a comunidade judaica o leria. [Êxodo 20:2; 34:6-7; Isaías 42:8; Jewish Encyclopedia, “Adonai”]

Leitura judaica. A tradição judaica passou a evitar a pronúncia ordinária do tetragrama e a ler adonai, “Senhor”, onde se escrevia YHWH. A Jewish Encyclopedia explica que os sinais vocálicos massoréticos indicam essa substituição a quem lê em voz alta. Se adonai está próximo do nome, a leitura pode empregar elohim para evitar a repetição de “Senhor”. Essa prática não significa que escribas substituíram as quatro consoantes do texto pelas de adonai. A diferença entre escrito e lido conserva o nome e ao mesmo tempo regula seu emprego oral. Comunidades e costumes de leitura têm história; não se deve projetar uma única prática sem nuance sobre todos os séculos bíblicos. [Jewish Encyclopedia, “Adonai”; “Names of God”]

Traduções gregas e cristãs. A Septuaginta se associa em muitos testemunhos à tradução grega kyrios, “Senhor”, para o nome. O Novo Testamento, escrito em grego, usa kyrios em passagens que retomam as Escrituras judaicas; por isso uma citação pode não mostrar as quatro letras hebraicas e ainda remeter a um trecho onde elas aparecem. É necessário comparar cada citação com seu contexto: kyrios também pode funcionar como tratamento comum. A prática de escrever LORD, SEÑOR ou SENHOR em versaletes em algumas Bíblias modernas avisa ao leitor que atrás do título está o nome hebraico. Nem todas as edições adotam essa convenção. [Jewish Encyclopedia, “Adonai”; “Names of God”]

“Jeová” e reconstrução. A forma “Jeová” surgiu ao combinar as consoantes do tetragrama com sinais vocálicos que orientavam para a leitura adonai. Não é, portanto, uma transcrição direta da pronúncia antiga do nome. A Jewish Encyclopedia trata “Jehovah” como resultado dessa leitura combinada e explica por que suas vogais não resolvem a pergunta histórica. “Yahweh” aparece em estudos como reconstrução, não como gravação da voz de Moisés nem como forma impressa em todos os manuscritos. Saber como cada forma se produziu permite descrevê-las com precisão sem transformar uma discussão linguística em prova de maior ou menor fidelidade religiosa. [Jewish Encyclopedia, “Jehovah”; “Names of God”]

Segundo Templo e usos posteriores. O cuidado ao pronunciar o nome se desenvolveu no judaísmo antigo e continuou na leitura sinagogal. A substituição oral por adonai e sua tradução grega por kyrios explicam parte da história compartilhada e também das diferenças entre leitores judeus e cristãos. Os primeiros cristãos herdaram as Escrituras em hebraico e grego e frequentemente citaram o título grego. Isso não torna cada ocorrência de “Senhor” no Novo Testamento uma escrita do tetragrama. A questão exige atenção à passagem citada, a quem fala e a quem se dirige; contar todas as ocorrências do mesmo título como equivalentes perderia essas diferenças. Uma citação explícita das Escrituras oferece base melhor para comparar palavras do que um tratamento isolado numa conversa. O costume de uma comunidade também não demonstra sozinho como o nome era vocalizado em outra época. Quando uma tradução imprime “Senhor”, é útil verificar se o hebraico subjacente traz o nome próprio ou um substantivo comum. Essa comparação separa história do texto, convenção de leitura e escolha de tradução. [Jewish Encyclopedia, “Adonai”; “Names of God”]

Um limite necessário. Lexicógrafos relacionaram o nome a formas do verbo hebraico “ser” ou “vir a ser” a partir de Êxodo 3. A relação narrativa é clara, mas a formação exata do nome e sua pronúncia primitiva não têm explicação aceita por todos. Também varia a maneira como tradutores tornam visível essa incerteza. Uma leitura responsável pode afirmar quais consoantes aparecem, como as edições massoréticas as vocalizaram para a leitura e o que as cenas bíblicas dizem. Não pode deduzir delas uma fórmula secreta, uma etimologia indiscutível nem uma obrigação universal de pronunciar uma reconstrução moderna. Comparar o nome próprio com os títulos usados ao seu lado ajuda ainda a evitar que uma convenção tipográfica de uma tradução seja confundida com as letras efetivamente preservadas no texto hebraico. [Êxodo 3:14-15; Jewish Encyclopedia, “Names of God”; “Jehovah”]

Onde aparece

  • Gênesis 2:4
  • Êxodo 3:14-15
  • Êxodo 6:3
  • Êxodo 34:6
  • Isaías 42:8

Fontes