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Autoria, data e contexto
1 Esdras reconta acontecimentos da monarquia final de Judá e da volta do exílio sob governantes persas. Seu título associa a obra a Esdras, personagem que surge no fim, mas não identifica o compilador. A obra grega reúne material paralelo a 2 Crônicas, Esdras e Neemias, com outra ordem e com o debate dos guardas de Dario. Sua composição precisa e a história de suas fontes continuam discutidas; o tempo dos acontecimentos narrados não é uma data segura para a redação.
Estrutura dos nove capítulos
O capítulo 1 parte da Páscoa de Josias e chega à queda de Jerusalém. Em 2, o decreto de Ciro abre o retorno, mas cartas adversárias interrompem a construção. O concurso dos guardas ocupa 3–4. As listas de retornados, o altar e as dificuldades aparecem em 5; 6–7 acompanham autorização, conclusão e dedicação do templo. Em 8–9, Esdras chega, enfrenta o problema dos casamentos e lê a Lei ao povo.
Temas e passagens-chave
A Páscoa de 1:1–22 situa o culto no início da narrativa, antes da destruição. Em 3:4–12, três guardas propõem medir a força do vinho, do rei e das mulheres; a defesa da verdade em 4:34–41 torna o debate um caminho para a petição de reconstrução. A resposta de Dario em 4:42–63 liga sabedoria verbal a uma decisão política. A leitura pública da Lei em 9:37–55 encerra a obra com ensino comunitário, não com uma vitória militar.
Resumo por partes
1–2: Josias celebra a Páscoa, morre após enfrentar o Egito e é seguido por reis sob pressão estrangeira. Jerusalém cai. Ciro permite o regresso e devolve objetos do templo; depois, uma denúncia ao rei detém a obra.
3–5: No banquete de Dario, guardas disputam qual poder é maior. Zorobabel conclui que a verdade prevalece e pede apoio para Jerusalém. Seguem preparativos, nomes dos repatriados e o início do trabalho sob oposição.
6–9: Uma investigação confirma o decreto favorável, o templo é terminado e a Páscoa celebrada. Esdras recebe autorização para ensinar a Lei; após a questão dos casamentos, ele a lê diante da assembleia, que responde com atenção e alegria.
Recepção e cânon
A numeração varia: este livro é chamado 1 Esdras em muitas edições inglesas e Esdras A na tradição grega, mas 3 Esdras em edições latinas católicas. Aparece em manuscritos antigos da Septuaginta; foi posto em apêndice na Vulgata oficial posterior. Essas designações não devem ser confundidas com o livro de Esdras do cânon hebraico, que aqui também possui entrada própria. A cena dos três guardas é o trecho que mais claramente distingue esta recontagem dos seus paralelos bíblicos.
Fontes
- Jacob Petroff, Ezra, Greek Book of (s.d.).
- Catholic Encyclopedia, Apocrypha (1907).