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Apócrifos

Apocalipse de Sedraque

Visão Apocalíptica

1 capítulo · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 9, The Apocalypse of Sedrach, Andrew Rutherfurd, 1896 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 9, The Apocalypse of Sedrach, Andrew Rutherfurd (1896) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O Apocalipse de Sedraque é uma obra pseudepigráfica anônima transmitida em língua grega. O protagonista, Sedraque, é frequentemente associado ao personagem bíblico Sadraque (Hananias) do Livro de Daniel, ou visto como uma corruptela do nome de Esdras decorrente da forte afinidade do texto com o Apocalipse Grego de Esdras e 4 Esdras.

Quanto à datação e autoria, os especialistas divergem amplamente. C. C. Torrey sugeriu tratar-se originalmente de uma composição judaica, enquanto Paul Riessler defendeu a tese de um texto judaico primitivo retrabalhado por mãos cristãs. Por outro lado, James H. Charlesworth e A.-M. Denis sustentam que se trata de uma compilação cristã tardia que combinou tradições judaicas dispersas entre os séculos III e IV d.C. Savas Agourides propõe que o núcleo apocalíptico foi redigido entre 150 e 500 d.C., recebendo acréscimos como o sermão sobre o amor e atingindo sua forma final bizantina por volta do ano 1000 d.C.

Estrutura

Nos manuscritos o texto forma uma narrativa contínua em capítulo único, mas foi dividido por Montague Rhodes James em dezesseis capítulos curtos em sua edição princeps de 1893.

A obra se articula em quatro unidades principais: a exortação inicial sobre a primazia do amor fraterno e do arrependimento (capítulo 1); o arrebatamento de Sedraque ao terceiro céu e o debate teológico com Deus sobre as razões da criação e a queda de Adão (capítulos 2 a 8); a recusa de Sedraque em entregar sua alma à morte e o lamento fúnebre pelos membros do corpo mortal (capítulos 9 a 11); e a súplica de intercessão com o auxílio do arcanjo Miguel para abrandar o tempo de penitência exigido dos pecadores (capítulos 12 a 16).

Temas e passagens-chave

O tema dominante é a tensão entre a justiça divina e a misericórdia universal, fundada no amor divino pela humanidade. O texto enfatiza o livre-arbítrio como dom que exime Deus da responsabilidade pelo pecado humano, a dignidade efêmera do corpo físico e a eficácia da oração e das lágrimas na remissão dos pecados.

Ao justificar a liberdade concedida à criatura no capítulo oito, Deus declara a razão de não forçar a conduta moral humana: "But I have left him to his own will because I loved him."

Resumo por partes

Homilia sobre o amor e ascensão (capítulos 1-3): O texto abre louvando a caridade sincera que cobre multidões de pecados. Sedraque ouve uma voz celeste e é conduzido em asas até a chama da divindade no terceiro céu, onde questiona por que Deus criou o mundo para depois permitir a destruição do ser humano.

O debate sobre o mal e a liberdade (capítulos 4-8): Sedraque argumenta que Adão pecou sob a sedução do diabo e interroga por que Deus não aniquilou o tentador. O Criador replica que conferiu a Adão inteligência e senhorio sobre as criaturas, deixando-o entregue à própria vontade por amor. Diante de perguntas cósmicas irrespondíveis sobre o número de ondas do mar e gotas de chuva, o vidente reconhece a soberania divina.

A disputa pela alma e a elegia do corpo (capítulos 9-11): Cristo é enviado para recolher a alma de Sedraque, mas o vidente se recusa a morrer sem antes chorar pelo destino de seus membros. Sedraque profere então uma comovente elegia anatômica, louvando a cabeça formosa, os olhos iluminados, as mãos operosas e os pés velozes que em breve perecerão na sepultura.

A intercessão e o perdão dos pecadores (capítulos 12-16): Sedraque intercede pelos que viveram em pecado, negociando progressivamente com Deus a redução do tempo de arrependimento de três anos para quarenta dias e, finalmente, para vinte dias, ou até um instante de pranto sincero. Obtida a promessa de misericórdia para quem recordar suas palavras, Sedraque entrega pacificamente a alma, sendo acolhido no Paraíso com os santos.

Recepção

O Apocalipse de Sedraque não foi admitido em nenhum cânon bíblico judaico ou cristão, figurando no corpus dos pseudepígrafos do Antigo Testamento por seu estilo e conteúdo afins à literatura de Esdras e Baruc. Sua circulação permaneceu confinada ao âmbito monástico bizantino, onde o texto era copiado com finalidades devocionais e litúrgicas de consolação ante a morte.

A transmissão textual da obra repousa em um único testemunho manuscrito do século XV, o Codex Miscellaneus Graecus 56 (ff. 92-100), conservado na Biblioteca Bodleiana de Oxford. O escrito foi redescoberto e publicado por M. R. James em 1893 na série Texts and Studies (vol. 2, n. 3), sendo vertido para o inglês por Andrew Rutherfurd na coleção Ante-Nicene Fathers (vol. 9, 1896).

Fontes

Dossiê

Um homem discute com Deus sobre a criação do homem e o peso do pecado — e se recusa a entregar a alma até arrancar uma concessão sobre o arrependimento.

De onde vem este texto

Grego, de datação incerta, com propostas entre os séculos II e X d.C. Aparenta ser reelaboração do Apocalipse de Esdras, e o nome Sedraque pode ser deformação de Esdras.

Por que não está na Bíblia

Fora de todos os cânones.

Datação, manuscritos e recepção

O texto sobrevive num único manuscrito do século XV, o Bodleian Cod. Misc. Gr. 56, e foi publicado por M. R. James em 1893. O núcleo do apocalipse é datado entre os séculos II e V; o sermão sobre o amor que o antecede foi unido a ele por volta do ano 1000, o que explica a mudança brusca de tom.

Especialistas veem por baixo do verniz cristão um original judaico, em que o visitante de Sedraque seria um arcanjo, depois trocado por Jesus. O nome pode ser a forma grega de Sadraque, o companheiro de Daniel, ou uma deformação de Esdras, já que o livro se parece com outros textos atribuídos a Esdras.

O que você vai encontrar

  • O sermão sobre o amor que abre o texto destoa completamente do resto e pode ser peça independente.
  • A negociação final reduz o tempo de arrependimento exigido, insistência após insistência.
  • É o texto mais curto do acervo a tratar da justiça divina de frente.

Perguntas frequentes

Quem era Sedraque?
Não é um personagem bíblico. O nome provavelmente é uma corruptela de Esdras, do texto em que este apocalipse se baseia.

Fontes

  • S. Agourides, «Apocalypse of Sedrach», in OTP, vol. 1, pp. 605–613.
  • M. R. James, Apocrypha Anecdota, Texts and Studies 2.3 (Cambridge: Cambridge University Press, 1893).
  • G. Mercati, «The Apocalypse of Sedrach», Journal of Theological Studies 11 (1910), pp. 572–573.

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