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Apócrifos

Atos de Pedro e Paulo

Atos Apócrifos

1 capítulo · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Acts of Peter and Paul, Alexander Walker, 1886 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Acts of Peter and Paul, Alexander Walker (1886) · domínio público

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Autoria, data e contexto

Os Atos dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (conhecidos no âmbito latino como Passio Sanctorum Apostolorum Petri et Pauli e atribuídos nos manuscritos a um pseudo-Marcelo) são um relato apócrifo sem autor conhecido, transmitido em grego e em latim. Ele se apresenta sob o pseudônimo de Marcelo, discípulo romano de Pedro e antigo seguidor de Simão Mago, combinando e reelaborando tradições narrativas mais arcaicas procedentes dos Atos de Pedro e dos Atos de Paulo do século segundo.

A NASSCAL registra um manuscrito latino da Biblioteca Ambrosiana de Milão (C 105 inf.) datado dos séculos V/VI, o que mostra que a obra já circulava nessa época.

Estrutura

A obra corre nos manuscritos sem divisão em capítulos, e o site a reúne em 1 capítulo, repartida modernamente em oitenta e oito parágrafos numerados na edição crítica padrão de Lipsius e Bonnet.

O argumento articula-se em quatro seções narrativas sucessivas. A primeira seção (parágrafos 1 a 21 na versão grega) descreve a viagem marítima de Paulo desde a ilha de Malta até Roma, passando por Siracusa, Messina e Putéoli, onde o capitão Dióscoro é martirizado por engano ao ser confundido fisicamente com o apóstolo. A segunda seção relata o encontro afetuoso e o abraço de comunhão entre Pedro e Paulo em Roma, desfazendo mal-entendidos entre cristãos de origem judaica e gentílica. A terceira seção encena o grande debate apologético travado diante do imperador Nero contra Simão Mago, o qual tenta provar sua divindade mediante prodígios ilusórios e anuncia sua ascensão ao céu a partir do Capitólio, culminando em sua queda fulminante quando Pedro ordena aos demônios que o soltem ante a oração ajoelhada de Paulo. A quarta seção relata a prisão e o martírio de ambos em vinte e nove de junho: Pedro crucificado de cabeça para baixo na colina Vaticana e Paulo degolado na Via Ostiense, seguida pela morte vergonhosa de Nero e a trasladação solene das relíquias.

Temas e passagens-chave

Os eixos teológicos fundamentais são a perfeita concórdia e co-fundação apostólica da sé de Roma por Pedro e Paulo, a supremacia da oração e da fé em Jesus Cristo sobre as fraudes da magia demoníaca encarnada por Simão Mago, e a glorificação do martírio como vitória celestial sobre a tirania imperial romana.

Dentre as passagens mais célebres destacam-se o abraço pacificador entre os dois apóstolos à entrada de Roma, proclamando a unidade dos povos sob o Evangelho; a dramática cena no Fórum onde Simão Mago alça voo sustentado por potestades invisíveis e despenha-se na Via Sacra partindo-se em quatro pedaços diante do imperador; a petição humilde de Pedro exigindo ser crucificado de cabeça para baixo por não se julgar digno de expirar na mesma posição de Cristo; e a cura milagrosa da nobre romana Perpétua, que recupera a visão ao receber o lenço manchado com o sangue e leite vertidos do pescoço de Paulo martirizado.

Resumo por partes

A travessia de Paulo e a chegada a Roma: Informado das artimanhas do feiticeiro Simão Mago que seduzia a plebe e a nobreza de Roma, Paulo parte de Malta em direção à Itália. Em Putéoli, o marinheiro Dióscoro acolhe o apóstolo; contudo, denunciado falsamente por judeus hostis, Dióscoro é degolado pelos magistrados por causa de sua calvície semelhante à de Paulo. Chegando à capital imperial, Paulo encontra Pedro; ambos choram e se abraçam em fraternidade, unindo judeus e pagãos convertidos em um único rebanho espiritual sob a autoridade evangélica.

O debate perante Nero e o voo fatal de Simão Mago: Nero convoca Simão Mago e os apóstolos ao tribunal palatino. Simão ostenta metamorfoses mágicas, alternando a aparência entre jovem e velho e fingindo decapitar a si mesmo. Pedro desmascara suas ilusões com pão bento e palavras de verdade. Desesperado para provar divindade perante o Senado, Simão erige uma torre de madeira no Campo de Marte e alça voo pelos ares impulsionado por espíritos impuros. Pedro invoca o nome de Jesus Cristo e comanda aos demônios que larguem o impostor; Simão despenca violentamente sobre o pavimento de pedra da Via Sacra, morrendo de forma ignominiosa.

O duplo martírio e a vindicação celestial: Furioso com o vexame e a perda de seu protegido, Nero ordena a morte imediata dos apóstolos. Pedro é conduzido ao Vaticano, onde é crucificado invertido a seu próprio pedido, louvando a cruz cósmica até expirar. Paulo, por gozar de cidadania romana, é levado à Via Ostiense; antes de ser decapitado, entrega seu véu à cega Perpétua, que milagrosamente recupera a visão. Do pescoço decapitado de Paulo brotam leite e sangue, convertendo os três algozes que o executaram. Nero é destronado e perece faminto no deserto, enquanto os corpos sagrados dos mártires são venerados triunfalmente em vinte e nove de junho.

Recepção

Embora categoricamente excluídos do cânon neotestamentário e proscritos em catálogos conciliares como o Decretum Gelasianum devido ao seu caráter lendário secundário, os Atos de Pedro e Paulo exerceram influência monumental na liturgia, na hinografia e na iconografia cristã ocidental e oriental.

A narrativa moldou de maneira indelével a tradição litúrgica da solenidade dos Santos Pedro e Paulo em vinte e nove de junho e inspirou ciclos de mosaicos medievais (como na Catedral de Monreale na Sicília e nos afrescos primitivos de São Paulo Extramuros). A transmissão textual apoia-se em manuscritos gregos medievais (notadamente Parisinus Graecus 770 e Vaticanus Graecus 866) e na prolífica tradição latina da Passio Pseudo-Marcelli. A edição crítica moderna fundamental foi publicada por Richard Adelbert Lipsius e Max Bonnet em Acta Apostolorum Apocrypha (Leipzig, 1891), sendo a obra vertida ao inglês por Alexander Walker em Ante-Nicene Fathers (vol. 8, 1870).

Fontes

Dossiê

O confronto final em Roma: Pedro e Paulo contra Simão o Mago diante de Nero, com um voo que termina mal.

De onde vem este texto

Grego, dos séculos V ou VI d.C., reunindo tradições muito mais antigas sobre a disputa com Simão e sobre o martírio dos dois apóstolos.

Por que não está na Bíblia

Fora de todos os cânones.

Datação, manuscritos e recepção

Os Atos de Pedro e Paulo são datados entre os anos 450 e 550. Há versões em latim e em grego, e a grega costuma ser mais longa. Uma forma latina, a Passio, traz no fim a assinatura de um certo Marcelo, que diz ter visto o que escreve; os estudiosos o chamam de Pseudo-Marcelo, pois o nome remete a um discípulo de Simão o Mago do século I, o que é impossível para um texto do século V.

A obra parece construída sobre os Atos de Pedro, com Paulo acrescentado à cena onde antes só havia Pedro. Ela tem parentes na literatura em inglês antigo: a Passio dos apóstolos de Ælfric e a Homilia 15 de Blickling. Manuscritos medievais, como um do século X vindo de Bobbio, mostram que a história foi copiada por séculos.

O que você vai encontrar

  • Simão o Mago levanta voo sobre Roma e cai quando os apóstolos oram.
  • A discussão diante de Nero, com os três argumentando em turnos.
  • Os dois martírios no mesmo dia: Pedro na cruz de cabeça para baixo, Paulo pela espada.

Perguntas frequentes

A história de Pedro crucificado de cabeça para baixo vem daqui?
Vem da tradição preservada nos atos apócrifos de Pedro, que este texto retoma. Nenhum livro do Novo Testamento descreve a morte de Pedro.

Fontes

  • R. A. Lipsius & M. Bonnet (eds.), Acta Apostolorum Apocrypha, 3 vols. (Leipzig: Mendelssohn, 1891–1903). (vol. 1).
  • J. K. Elliott, The Apocryphal New Testament (Oxford: Clarendon Press, 1993).
  • Jacobus de Voragine, Legenda aurea, life of St. Peter (13th c.), which cites Marcellus among the authors of the martyrdom.

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