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Apócrifos

Atos de Tadeu

Atos Apócrifos

1 capítulo · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Alexander Walker, 1886 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Alexander Walker (1886) · domínio público

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Autoria, data e contexto

Os Atos de Tadeu (Acta Thaddaei) apresentam-se formalmente sob o título tradicional de 'Atos de Tadeu, Um dos Doze', identificando o apóstolo protagonista com Lebeu, natural da cidade de Edessa em Osroene, de estirpe hebraica e educado nas Escrituras, discípulo de João Batista e integrado ao colégio dos Doze segundo os Evangelhos de Mateus e Marcos. A crítica histórico-literária classifica o documento grego como anônimo, surgido como uma reedição grega bizantina tardia da célebre lenda do rei Abgar V Ukkama e das origens cristãs de Edessa, estreitamente aparentada com a Doutrina de Addai em língua siríaca e com os relatos documentados por Eusébio de Cesareia em Historia Ecclesiastica (I, 13).

Diferentemente de Eusébio e dos registros siríacos arcaicos que catalogam Addai/Tadeu entre os Setenta discípulos, a redação grega eleva o evangelizador à categoria de apóstolo maior do grupo dos Doze. Historiadores e patrólogos datam a fixação definitiva desta versão grega entre os séculos sexto e sétimo d.C. (cerca de 550 a 650 d.C.), embora ela incorpore tradições devocionais siríacas e lendas relíquias que floresceram a partir dos séculos terceiro e quarto. O contexto histórico reflete o esforço de fundação apostólica direta da Igreja de Edessa e a promoção do culto ao Mandylion (a sagrada toalha contendo o semblante impresso de Cristo).

Estrutura

A obra apresenta-se formalmente como uma narrativa contínua e linear em 1 capítulo único, sem divisões capitulares formais nos manuscritos originais.

O argumento desdobra-se em quatro movimentos biográficos sucessivos: a identificação genealógica e formativa de Tadeu, seu batismo nas águas do Jordão e o chamado para o apostolado; a enfermidade do rei Abgar em Edessa, o envio da embaixada epistolar por meio de Ananias e a impressão milagrosa da face de Cristo no lenço de linho acompanhada da promessa salvífica; a chegada do apóstolo a Edessa após a Ascensão, a cura e batismo da casa real, a extirpação dos templos idolátricos e a ordenação episcopal da congregação local; e o ministério apostólico em Amis da Mesopotâmia, o sermão kerigmático proferido na sinagoga aos judeus no sábado, as expulsões demoníacas em massa e o trânsito pacífico do apóstolo na cidade de Beirute em vinte e um de agosto.

Temas e passagens-chave

Os eixos teológicos fulcrais articulam a veneração ao Mandylion como imagem não feita por mãos humanas (acheiropoieton) e penhor da encarnação física salvífica, a defesa kerigmática da Ressurreição corpórea de Cristo com base no testemunho ocular dos Doze, e a transmissão regular do ministério pastoral através de bispos, presbíteros e diáconos nas comunidades gentílicas.

Ao confiar ao mensageiro régio Ananias o sudário impresso com seus traços fisionômicos, o Salvador profere a fórmula perene de conforto e aliança dirigida ao governante e a seus cidadãos: 'Peace to you and your city! For because of this I have come, to suffer for the world, and to rise again, and to raise up the forefathers.'

Resumo por partes

Origem apostólica e embaixada de Edessa: Lebeu Tadeu, judeu edesseno discípulo do Batista, junta-se aos Doze e acompanha o ministério de Cristo; acometido por mal incurável, o governador Abgar envia seu emissário Ananias com cartas rogando a presença do Senhor em Edessa para curá-lo e escapar dos conluios em Jerusalém; Jesus lava seu rosto, imprime sua efígie no linho e promete enviar Tadeu após subir aos céus.

Cura de Abgar e institucionalização da Igreja edessena: Curado antes mesmo da chegada do pregador ao reverenciar a imagem santa, Abgar recebe Tadeu com veneração; o apóstolo instrui a corte no mistério da encarnação, batiza a família real e os cidadãos, destrói templos pagãos, consagra templos ao verdadeiro Deus e confere ordens eclesiásticas aos seus discípulos.

O testemunho solene na sinagoga de Amis: Em viagem pela Mesopotâmia junto ao rio Tigre, Tadeu adentra a sinagoga de Amis em dia de sábado; interpelado pelos sacerdotes, proclama abertamente a inocência de Cristo declarada por Pilatos, a crucificação instigada pela inveja, os guardas impotentes no túmulo e a ressurreição ao terceiro dia testemunhada pelos apóstolos que comeram e beberam com o Salvador ressuscitado.

Grandes milagres e trânsito fúnebre em Beirute: O anúncio evangélico atrai levas de enfermos e possessos que são restabelecidos instantaneamente ao som do nome de Jesus; após erigir uma igreja em Amis durante cinco anos de permanência e fundar comunidades pela Síria e Fenícia, Tadeu chega à cidade costeira de Beirute, onde conclui seus dias em santa paz em vinte e um de agosto, sendo velado e honrado pelos fiéis.

Recepção

A correspondência fictícia entre Jesus e Abgar e as tradições apócrifas adjacentes foram censuradas no Ocidente latino como apócrifas no Decreto Gelasiano (século sexto), que interditou a leitura litúrgica de cartas atribuídas ao Salvador. Não obstante, a narrativa dos Atos de Tadeu gozou de imensa veneração no Oriente grego, siríaco e armênio, alicerçando a história canônica e litúrgica da festa do Santo Mandylion, solenemente trasladado de Edessa para a basílica de Santa Maria de Blachernae em Constantinopla em 944 d.C. sob o imperador Constantino VII Porfirogênito.

O texto grego conservou-se em manuscritos hagiográficos medievais (menológios e sinaxários dos séculos décimo a décimo segundo), sendo editado por Konstantin von Tischendorf em 1851 em sua compilação clássica Acta Apostolorum Apocrypha. Alexander Walker estabeleceu a tradução de referência para a língua inglesa na série Ante-Nicene Christian Library (1870), reproduzida posteriormente no oitavo volume da coleção The Ante-Nicene Fathers organizada por Roberts, Donaldson e Coxe (1886) e acolhida no repositório católico digital New Advent.

Fontes

Dossiê

A lenda de Abgar, rei de Edessa: doente, ele escreve a Jesus pedindo cura, recebe resposta e, depois da ressurreição, é curado por Tadeu.

De onde vem este texto

Grego, dos séculos VI ou VII d.C., versão tardia de uma tradição bem mais antiga registrada por Eusébio de Cesareia no século IV.

Por que não está na Bíblia

Fora de todos os cânones.

Datação, manuscritos e recepção

A datação corrente coloca os Atos de Tadeu entre 544 e 944. O primeiro limite é o ano em que a Imagem de Edessa aparece publicamente; o segundo, a chegada dessa imagem a Constantinopla. Parte dos estudiosos prefere o século VII, e outros associam o texto à controvérsia iconoclasta do século VIII. Os manuscritos mais antigos são do século X, como o Parisinus Graecus 548.

O texto desenvolve uma tradição mais velha. A lenda de Abgar já consta em Eusébio de Cesareia (História Eclesiástica 1.13) e na Doutrina de Addai, em siríaco. Aqui o acento se desloca para o caráter miraculoso da imagem de Cristo. Há também uma confusão de nomes, porque o autor mistura o apóstolo Tadeu com Addai, figura da cristandade síria. Nem por isso o texto entrou em qualquer cânone oficial, embora Gregório de Tatev o tenha incluído no seu.

O que você vai encontrar

  • A troca de cartas entre Abgar e Jesus é um dos documentos apócrifos mais famosos da antiguidade.
  • A imagem de Cristo enviada a Abgar está na origem da tradição do Mandylion.
  • A cura do rei e a conversão de Edessa fecham a narrativa.

Perguntas frequentes

Jesus escreveu uma carta ao rei Abgar?
A correspondência é considerada apócrifa. Eusébio a reproduz no século IV dizendo tê-la encontrado nos arquivos de Edessa, mas os estudiosos a datam bem depois da época de Jesus.

Fontes

  • Eusebius of Caesarea, Historia ecclesiastica 1.13 (trans. K. Lake, Loeb Classical Library, 1926).
  • A. Nicolotti, From the Mandylion of Edessa to the Shroud of Turin (Leiden: Brill, 2014).
  • R. A. Lipsius & M. Bonnet (eds.), Acta Apostolorum Apocrypha, 3 vols. (Leipzig: Mendelssohn, 1891–1903). (vol. 1).

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