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Apócrifos

Evangelho Árabe da Infância

Infância de Jesus

1 capítulo · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Arabic Gospel of the Infancy, Alexander Walker, 1886 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Arabic Gospel of the Infancy, Alexander Walker (1886) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O nome Evangelho Árabe da Infância designa a língua de uma tradição textual, não um autor identificado. A abertura atribui informações a um livro de José, o sumo sacerdote, talvez Caifás, mas essa é uma alegação interna da narrativa. M. R. James descreve o texto publicado a partir da edição de Heinrich Sike, de 1697, como compilação tardia, composta de episódios de procedências distintas e com paralelos numa História da Virgem em siríaco. A data das tradições aproveitadas não é, portanto, a data demonstrada do conjunto árabe. A obra amplia a história do nascimento, da fuga ao Egito e da infância de Jesus sem integrar os evangelhos canônicos.

Estrutura do capítulo único

O arquivo deste site reúne a obra em um capítulo com 358 versículos numerados; as divisões em dezenas de seções encontradas em outras edições não correspondem a capítulos locais. Os versículos 1–48 vão da abertura ao nascimento, aos magos e ao início da fuga. Em 49–159 predominam os encontros no Egito e o retorno anunciado a José. De 160–336 acumulam-se curas e prodígios durante a infância, além de conflitos com outras crianças e mestres. Em 337–358, Jesus permanece no templo, responde a perguntas e volta com seus pais.

Temas e passagens-chave

Logo em 3, a criança fala do próprio envio, antecipando a identidade que o relato pretende demonstrar. Os magos aparecem em 34–44 e deixam uma faixa de tecido associada a milagres posteriores. A queda de um ídolo em 49–56 e curas realizadas por meio da água ou das faixas do menino mostram objetos de contato como agentes narrativos de cura. Em 124–138, uma mula recupera a forma humana; em 145–151, a ajuda de um ladrão é ligada por antecipação à crucificação. A instrução junto aos mestres em 337–350 encerra a série de provas sobre quem é a criança.

Resumo por partes

1–48: O texto abre com uma atribuição indireta e apresenta Jesus falando ainda no berço. Maria dá à luz numa gruta; uma parteira é curada, pastores chegam, e os magos visitam a família. Após a ameaça de Herodes, José recebe ordem de partir para o Egito.

49–159: Um ídolo cai diante de Jesus. A família encontra pessoas ameaçadas por doença, possessão ou perda; água usada no banho e roupas da criança aparecem repetidamente nos relatos de cura. Duas jovens, uma mula encantada e dois ladrões integram os episódios. Depois de uma estadia egípcia, José recebe instrução para voltar a Nazaré.

160–336: A narrativa encadeia curas de crianças, disputas durante brincadeiras, prodígios com tecidos tingidos e pássaros de barro e encontros com professores. Alguns sinais restauram vidas; outros punem quem se opõe a Jesus. O ambiente é agora o convívio infantil e doméstico.

337–358: Durante uma festa em Jerusalém, Jesus fica no templo sem que os pais percebam. Responde aos mestres sobre a lei e outros saberes, reencontra Maria e José e regressa com eles a Nazaré. Uma doxologia encerra o texto.

Recepção e manuscritos

James observa que sua apresentação depende sobretudo de um manuscrito árabe usado por Sike e depois perdido, enquanto conhece testemunhos adicionais e material paralelo em siríaco. Ele descreve também partes do texto como inserções de épocas distintas. Assim, não convém tratar cada cena desta edição como parte de uma obra antiga imutável. O texto reutiliza e amplia motivos presentes em outras narrativas da infância; a menção a Jesus falando no berço é um exemplo de sua maneira própria de abrir a história, não uma afirmação dos evangelhos canônicos.

Fontes

Dossiê

A infância de Jesus contada com sabor de conto oriental: curas feitas com a água do banho do menino, o pano de sua roupa que não queima, e os dois ladrões da cruz encontrados ainda crianças.

De onde vem este texto

Árabe, provavelmente do século VI d.C., traduzido de um original siríaco. Foi muito lido no Oriente cristão e é uma das fontes das tradições sobre Jesus que circulam no mundo islâmico.

Por que não está na Bíblia

Apócrifo em todas as tradições.

O que você vai encontrar

  • Jesus fala ainda no berço, cena que também aparece no Alcorão.
  • Os dois ladrões que seriam crucificados com ele aparecem como salteadores que poupam a Sagrada Família na fuga.
  • As curas por contato com objetos do menino formam a maior parte do livro.
  • O episódio final no templo, aos doze anos, com os doutores discutindo astronomia e medicina.

Perguntas frequentes

Este evangelho tem relação com o Alcorão?
Compartilha tradições com ele, como Jesus falando no berço. A relação entre os textos é discutida: pode haver dependência, ou ambos podem beber de um fundo comum de histórias que circulavam no Oriente.

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