LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Apócrifos

Evangelho do Pseudo-Mateus

Infância de Jesus

43 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Gospel of Pseudo-Matthew, Alexander Walker, 1886 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Gospel of Pseudo-Matthew, Alexander Walker (1886) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O prefácio apresenta a obra como texto hebraico de Mateus traduzido por Jerônimo, mas essa atribuição faz parte da moldura literária e não documenta a autoria apostólica ou a tradução. Trata-se de uma narrativa latina que reelabora episódios do Protoevangelho de Tiago e acrescenta material sobre a viagem ao Egito e a infância de Jesus. A tradição tem várias formas manuscritas; por isso não se deve atribuir uma única data precisa a todas as cenas. O catálogo e-Clavis registra testemunho latino da obra em uma compilação de cerca de 800, limite seguro para a existência de ao menos parte do texto.

Estrutura dos quarenta e três capítulos

O capítulo 1 deste site reúne os prefácios; a narrativa começa em 2. Em 2–9, Joaquim e Ana recebem a promessa de Maria, que cresce no templo e é confiada a José. Os capítulos 10–18 passam da anunciação ao nascimento, aos magos e à fuga. Em 19–26, animais, palmeira e ídolos respondem à presença do menino na viagem ao Egito. De 27 a 43 há episódios de sua infância, com brincadeiras, ensino, curas e cenas da família. Essa divisão local desloca em um número as referências de edições que começam a contar com Joaquim.

Temas e passagens-chave

A dedicação de Maria no templo em 5–9 dá a ela um percurso próprio antes do nascimento de Jesus. A prova da água em 13 responde à suspeita dirigida a Maria e José dentro da narrativa. Na manjedoura, em 15, o boi e o jumento reconhecem a criança; na fuga, a palmeira de 21–22 oferece alimento e água. A queda dos ídolos em 23–25 apresenta a passagem pelo Egito como confronto religioso. Os sinais da infância em 27–43 incluem tanto curas quanto episódios duros de punição, aspecto que uma leitura seletiva das cenas familiares ocultaria.

Resumo por partes

1–9: Cartas prefaciais reivindicam os nomes de Mateus e Jerônimo. Joaquim é afastado do culto por não ter filhos; Ana também lamenta. Mensagens celestes anunciam Maria, que é levada ao templo e depois entregue aos cuidados de José.

10–18: Maria recebe o anúncio da concepção, José se inquieta, e ambos enfrentam suspeitas. A viagem a Belém leva ao nascimento numa gruta e à cena da manjedoura. Magos visitam a criança; Herodes ordena a morte de meninos e José foge com a família.

19–26: Na rota do Egito, dragões e feras se submetem a Jesus. A palmeira se inclina e oferece fruto; uma fonte aparece. Em território egípcio, imagens de deuses caem, e o governante local reage ao sinal. Um anjo manda a família voltar.

27–43: Jesus faz tanques de barro e pássaros, discute com mestres e realiza curas. Algumas crianças morrem após confrontos e outras pessoas são restauradas. A sequência termina entre parentes de José, que esperam Jesus iniciar a refeição.

Recepção e manuscritos

O catálogo e-Clavis descreve numerosos manuscritos latinos e famílias textuais distintas. Algumas versões posteriores incorporam mais milagres associados ao Evangelho da Infância de Tomé; o bloco final desta edição deve ser lido como parte de uma tradição em expansão. Cenas como a palmeira, o boi e o jumento também tiveram recepção na arte cristã, sem que isso converta o relato em um dos quatro evangelhos canônicos. A alegação do prefácio de que Jerônimo traduziu Mateus não é evidência independente dessa procedência.

Fontes

Dossiê

O evangelho de infância que fundou o presépio: o boi e o jumento ao lado da manjedoura, a palmeira que se curva para dar tâmaras a Maria, os dragões que adoram o menino na fuga para o Egito.

De onde vem este texto

Latim, dos séculos VI ou VII d.C., montado a partir do Protoevangelho de Tiago e do Evangelho da Infância de Tomé, com material próprio. Foi o texto de infância mais lido no Ocidente medieval.

Por que não está na Bíblia

Rejeitado e listado entre os livros apócrifos a evitar. Isso não impediu que definisse a iconografia do Natal em toda a arte ocidental.

O que você vai encontrar

  • O boi e o jumento na manjedoura vêm daqui — nenhum evangelho canônico os menciona.
  • A palmeira que se inclina a pedido do menino Jesus para alimentar a mãe cansada.
  • As feras do deserto que acompanham a família sem atacar, na fuga para o Egito.
  • Os ídolos egípcios que caem sozinhos quando a criança entra no templo de Sotinen.

Perguntas frequentes

De onde vem o boi e o jumento do presépio?
Deste texto. Os evangelhos de Mateus e Lucas não citam animais no nascimento. A cena entrou na arte cristã a partir do Pseudo-Mateus, apoiada numa leitura de Isaías 1:3.

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