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Autoria, data e contexto
Janes e Jambres são os adversários de Moisés nomeados em 2 Timóteo 3:8, embora o Êxodo não dê nomes aos magos do faraó. O livro atribuído aos dois é anônimo. Albert Pietersma, ao editar os papiros gregos, propôs uma origem no judaísmo egípcio perto do começo da era romana; a data da composição permanece hipótese, distinta da data das cópias conservadas. O texto deste site reúne testemunhos e narrativa em um único capítulo, não uma obra antiga preservada integralmente.
Estrutura do capítulo único
A abertura cita a referência da carta a Timóteo e conta a derrota dos irmãos diante de Moisés. Seguem a evocação do espírito de Janes por Jambres e palavras de advertência sobre a morte. Depois aparecem comentários interpretativos, inclusive alusões cristãs, antes de uma narrativa mais longa: o faraó convoca os magos, eles tentam atacar Moisés por meios mágicos e por veneno, e fracassam. Os 56 segmentos numerados do arquivo são versos locais deste único capítulo; não representam capítulos recuperados do antigo apócrifo.
Temas e passagens-chave
Nos segmentos 2–3, os magos creem poder enfrentar os sinais realizados por Moisés e acabam reconhecendo um poder maior. Em 5–9, o morto Janes adverte o irmão a mudar de vida, transformando a rivalidade em reflexão sobre responsabilidade. Já em 22–29, a fala do faraó liga a disputa ao prestígio público do Egito. As tentativas com demônios em 37–41 e com a taça envenenada em 52–55 terminam sem ferir Moisés. Essas cenas pertencem à tradição narrativa reunida aqui, não ao relato do Êxodo.
Resumo por partes
1–13: A referência a Timóteo introduz os nomes. Os irmãos se opõem a Moisés; a evocação de Janes morto produz uma advertência a Jambres, seguida por comentários sobre engano, julgamento e sinais cristãos.
14–36: Moisés comparece perante o faraó. O rei chama os magos e exige vitória para evitar a desonra. Eles prometem a morte de Moisés, enquanto o faraó aguarda em vão o resultado.
37–56: Os espíritos enviados contra Moisés fogem. Uma imagem mágica também não resolve a disputa. Por fim, os magos oferecem vinho com veneno; Moisés o bebe sem dano e denuncia o ardil. O próprio texto encerra aí o episódio.
Recepção e manuscritos
A edição de Pietersma trabalha com o papiro Chester Beatty XVI, fragmentos de Viena e testemunhos posteriores; as lacunas exigem cautela ao reconstruir a sequência antiga. Um fragmento de Oxirrinco preserva diálogo de Janes com sua mãe e foi datado paleograficamente dos séculos III–IV. Erho e Henry publicaram ainda um fragmento em etíope e reexaminaram partes gregas. Assim, o nome dos magos circulou em 2 Timóteo e em tradições apócrifas, mas a menção canônica não canoniza este livro nem comprova que cada frase da compilação local pertencesse ao mesmo original.
Fontes
- Jean-Daniel Dubois, Resenha de The Apocryphon of Jannes and Jambres the Magicians (1994).
- Thomas M. Erho e W. B. Henry, The Ethiopic Jannes and Jambres and the Greek Original (2019).
- 4care / MF Norwegian School of Theology, P.Oxy. LXXXII 5290 (s.d.).