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Apócrifos

Aos Laodicenses

Epístola Perdida

1 capítulo · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: The Apocryphal New Testament, The Epistle to the Laodiceans (Oxford: Clarendon Press), M. R. James, 1924 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: The Apocryphal New Testament, The Epistle to the Laodiceans (Oxford: Clarendon Press), M. R. James (1924) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O texto se apresenta como carta de Paulo aos irmãos de Laodiceia, mas sua autoria paulina não é aceita pela pesquisa moderna descrita por Philip L. Tite. Não há data precisa para a redação. A menção a uma carta de Laodiceia em Colossenses 4:16 ajuda a explicar por que um escrito com esse título circulou, mas não demonstra que o documento preservado seja a carta ali mencionada.

Estrutura do capítulo único

A edição local reúne vinte versículos em um capítulo. Os versículos 1–2 trazem remetente, destinatários e saudação. Em 3–12 aparecem agradecimento, alerta contra discursos enganosos, referência à prisão e exortações à perseverança. Os versículos 13–19 acrescentam instruções, saudações e bênção. O versículo 20 pede a troca de leitura com Colossos.

Temas e passagens-chave

A prisão do remetente em 6–8 é apresentada como ocasião de alegria e esperança, em linguagem próxima à de Filipenses. Os versículos 9–12 relacionam amor, unanimidade e prática; 14–16 reúnem oração e uma lista de virtudes. O pedido de leitura recíproca em 20 faz a carta dialogar explicitamente com Colossenses 4:16. Essas semelhanças são parte do problema de autoria: o escrito reúne formulações conhecidas de cartas paulinas.

Resumo por partes

1–5: uma saudação em nome de Paulo é seguida de agradecimento e de uma advertência contra falas que desviariam os destinatários do evangelho.

6–12: o remetente menciona suas cadeias, celebra a esperança de salvação e pede firmeza, amor e ação sem hesitação.

13–20: recomenda alegria, oração e virtudes; envia saudações e termina pedindo que laodicenses e colossenses leiam as cartas uns dos outros.

Recepção e manuscritos

Tite informa que o escrito sobrevive em manuscritos latinos e traduções medievais; o Codex Fuldensis, do século VI, é um testemunho importante. Houve aceitação variável no Ocidente, enquanto o Oriente o rejeitou. O Fragmento Muratoriano menciona outra carta aos Laodicenses associada a Marcião; a coincidência do título não prova que se trate deste mesmo texto latino. A carta preservada não integra o cânon do Novo Testamento.

Fontes

Dossiê

Uma carta de vinte versículos, montada com frases de Paulo, que existe por causa de uma linha solta em Colossenses: leiam também a carta que virá de Laodiceia.

De onde vem este texto

Latim, provavelmente dos séculos III ou IV d.C. É uma tentativa antiga de preencher a lacuna criada por Colossenses 4:16 — a carta original, se existiu, nunca foi encontrada.

Por que não está na Bíblia

Rejeitada, mas com uma sobrevida notável: apesar de o Fragmento Muratoriano já a denunciar como falsificação, ela foi copiada em mais de cem manuscritos da Vulgata ao longo da Idade Média e chegou a aparecer em Bíblias impressas.

O que você vai encontrar

  • Quase todo o texto é montagem de frases tiradas de Filipenses e Gálatas.
  • Não há nenhuma doutrina nova — o que é, em si, o argumento antigo contra sua autenticidade.
  • É o caso mais claro de como uma referência solta no Novo Testamento gerou um livro inteiro.

Perguntas frequentes

Existe uma carta de Paulo aos laodicenses?
Colossenses 4:16 menciona uma carta vinda de Laodiceia, mas ela não sobreviveu. O texto que circula com esse nome é uma composição posterior, reconhecida como falsificação já na antiguidade.

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