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Apócrifos

1 Clemente

Carta aos Coríntios

65 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Carta da igreja de Roma à de Corinto por volta do ano 96, tentando reverter a deposição de presbíteros. O documento cristão mais antigo fora do Novo Testamento. Texto em inglês: The Apostolic Fathers, First Clement (1891), J. B. Lightfoot, 1891 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: The Apostolic Fathers, First Clement (1891), J. B. Lightfoot (1891) · domínio público

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Autoria, data e contexto

A saudação põe a igreja de Roma como remetente e a de Corinto como destinatária; o nome de Clemente não aparece nela. Testemunhos cristãos posteriores atribuíram a carta a Clemente de Roma. A comunidade coríntia enfrentava uma dissensão em que alguns presbíteros tinham sido afastados. A referência inicial a calamidades em Roma foi relacionada pela antiga Catholic Encyclopedia ao período de Domiciano, no fim do século I, mas a carta não fornece uma data explícita.

Estrutura dos sessenta e cinco capítulos

Os capítulos 1–3 recordam a antiga paz de Corinto e introduzem a inveja como causa do conflito. Em 4–23, exemplos bíblicos e figuras apostólicas fundamentam o apelo ao arrependimento e à humildade. Os capítulos 24–36 tratam da ressurreição, das promessas e de Cristo. Em 37–48, imagens de ordem conduzem à discussão dos ministros destituídos. Os capítulos 49–58 insistem no amor, na correção e na reconciliação. Uma oração ocupa 59–61; 62–65 encerram o pedido e mencionam os mensageiros.

Temas e passagens-chave

A inveja exemplificada por Caim em 4 e pelas perseguições de Pedro e Paulo em 5 serve de espelho para a discórdia presente. Em 24–26, imagens da natureza sustentam a esperança de ressurreição. Os capítulos 42–44 ligam o envio dos apóstolos à escolha de ministros e contestam sua deposição sem motivo justo. Em 47, a comunidade é convidada a reler a carta de Paulo aos Coríntios. O amor descrito em 49–50 e a possibilidade de ceder lugar voluntariamente em 54 tornam a unidade uma tarefa concreta.

Resumo por partes

A carta começa lamentando a demora da resposta de Roma e elogiando a antiga conduta coríntia. Em 4–18, episódios de Caim, patriarcas, Raabe e Davi opõem inveja e humildade. Em 19–36, a ordem da criação, a esperança de ressurreição e a mediação de Cristo ampliam o argumento. Em 37–48, corpo e serviço comum servem de imagens para a vida da igreja; o afastamento de presbíteros fiéis é criticado. Em 49–58, os responsáveis pela revolta são chamados a arrepender-se, enquanto os demais devem interceder por eles. A longa oração de 59–61 inclui governantes. No final, a comunidade pede que seus enviados retornem logo a Roma trazendo notícia de paz.

Recepção e manuscritos

Dionísio de Corinto, citado pela Catholic Encyclopedia, relata que a carta romana continuava a ser lida em Corinto no século II. A mesma fonte registra sua preservação em manuscritos que também transmitem a obra chamada 2 Clemente, mas distingue a autoria das duas. Primeira Clemente teve grande autoridade entre cristãos antigos, embora não integre o Novo Testamento nas edições canônicas usuais.

Fontes

Dossiê

A carta que a igreja de Roma escreveu à de Corinto porque os coríntios tinham deposto seus presbíteros — e que, quase dois mil anos depois, continua sendo o documento cristão datável mais antigo fora do Novo Testamento.

De onde vem este texto

Escrita por volta de 96 d.C., em grego, tradicionalmente atribuída a Clemente, bispo de Roma, embora o texto se apresente como carta da comunidade, não de um indivíduo. Sobreviveu em grego, latim, siríaco e copta, e está copiada no Codex Alexandrinus, depois do Apocalipse.

Por que não está na Bíblia

Foi lida publicamente nas igrejas por séculos e chegou a constar em manuscritos bíblicos. Ficou de fora por não ser apostólica e por ser carta ocasional, dirigida a um conflito específico.

O que você vai encontrar

  • Descreve uma sucessão ordenada de ministros já no primeiro século, o que a torna peça central em toda discussão sobre organização da igreja primitiva.
  • Cita a fênix como exemplo natural de ressurreição, com toda a seriedade.
  • Menciona os martírios de Pedro e Paulo como fato recente e conhecido — um dos testemunhos externos mais antigos sobre eles.
  • O tom não é de ordem, mas de apelo: Roma pede, argumenta e cita a Escritura em vez de mandar.

Perguntas frequentes

1 Clemente é a carta cristã mais antiga fora da Bíblia?
É o documento cristão datável mais antigo fora do Novo Testamento que sobreviveu inteiro, escrito por volta de 96 d.C.
1 Clemente esteve na Bíblia?
Não no cânone final, mas foi lida nas igrejas por séculos e aparece copiada no Codex Alexandrinus, logo após o Novo Testamento.

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