LUX VERITAS

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Peshitta

Siríaco

5 capítulos · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

A Bíblia da tradição siríaca, em aramaico tardio, usada até hoje pelas igrejas do Oriente. Preserva leituras que faltam nos manuscritos gregos. Seleção lida no texto de Mateus da King James Version (1611, domínio público); em português e espanhol, tradução do Lux Veritas a partir dela. Não é uma transcrição do manuscrito.

Fonte: King James Version (London: Robert Barker, 1611), excerpts from Matthew, King James Version translators (1611) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O termo siríaco Peshitta ('a versão simples' ou 'comum', do particípio passivo pshīṭtā) designa a versão padrão das Escrituras em língua siríaca (dialeto aramaico oriental de Edessa). No âmbito específico das coleções apócrifas de cinco partes referenciadas na tradição dos estudos bíblicos e pseudepigráficos ('Peshitta, 5 cap.'), os pesquisadores destacam o corpus célebre dos 'Cinco Salmos Siríacos de David' (Salmos 151 a 155), preservado com exclusividade ao lado do Saltério canônico em manuscritos antigos da Peshitta (notadamente no Codex Ambrosianus 12t1 de Milão e no manuscrito Mingana Syr. 31), conforme documentam James H. Charlesworth e J. A. Sanders no Early Jewish Writings e Emil G. Hirsch na Jewish Encyclopedia.

A gênese dessa literatura remonta ao judaísmo do Segundo Templo na Judeia entre o século terceiro a.C. e o século primeiro d.C., quando poemas davídicos circulavam em hebraico antes da destruição de Jerusalém. Simultaneamente, a própria Peshitta do Antigo Testamento teve suas cinco partes seminais (o Pentateuco) traduzidas do hebraico no século primeiro da nossa era, tradicionalmente associadas à corte de Adiabene (sob o rei Izates) e à difusão siríaca em Edessa.

Estrutura

O conjunto dos Cinco Salmos Apócrifos Siríacos da Peshitta estrutura-se organicamente em cinco composições poéticas numeradas correlativamente como Salmos 151 a 155 (ou Salmos 1 a 5 da série siríaca).

O Salmo 1 (Salmo 151) celebra a eleição de David do pastoreio campestre à unção real e sua vitória sobre Golias; o Salmo 2 (Salmo 154) constitui uma exortação comunitária sapiencial para glorificar o Senhor na assembleia dos justos; o Salmo 3 (Salmo 155) apresenta uma oração penitencial individual de súplica por livramento do pecado e dos abismos da morte; o Salmo 4 (Salmo 152) registra a prece de David em perigo contra o leão e o lobo que atacaram o rebanho paterno; e o Salmo 5 (Salmo 153) coroa a coletânea com uma ação de graças jubilosa pelo resgate diante das feras do campo.

Temas e passagens-chave

Os temas centrais expressam a teologia davídica da eleição divina dos humildes, a confiança inabalável no auxílio de Deus nas provações da vida pastoral e militar, o louvor comunitário da Sabedoria celestial e o resgate da alma sincera perante a opressão de inimigos e feras selvagens. Essas poesias testemunham a vitalidade espiritual e hinológica do judaísmo aramaico pré-rabínico conservado pelo cristianismo oriental.

Destacando a pioneira difusão acadêmica e a integridade filológica dessa tradição poética preservada nos manuscritos siríacos, James Charlesworth registra em sua análise histórica: "The Five Syriac Psalms were translated by W. Wright".

Resumo por partes

A eleição do pastor e a vitória sobre o gigante (Salmo 151): David recorda sua juventude apascentando ovelhas e fabricando harpas com as mãos, até que o Senhor enviou seu anjo para tirá-lo do rebanho, ungi-lo acima de seus irmãos formosos e conceder-lhe vitória decapitando o filisteu.

Louvor coletivo e consagração da Sabedoria (Salmo 154): A assembleia dos santos é convocada a entoar melodias sagradas ao Altíssimo, reconhecendo que a instrução de Deus ilumina os simples e recompensa os fiéis que meditam em seus preceitos.

Súplica penitencial e livramento da cova (Salmo 155): O salmista prostrado clama pelo perdão de suas culpas, implorando que a misericórdia de Yahweh afaste a angústia da condenação e preserve sua alma do poder de Sheol.

Combate contra as feras e ação de graças salvífica (Salmos 152 e 153): David suplica coragem contra o lobo e o leão predador que buscavam despedaçar seu rebanho e sua própria alma, concluindo com um cântico vibrante de louvor pela libertação miraculosa operada pela mão divina.

Recepção

A antiguidade venerável dos salmos siríacos da Peshitta foi espetacularmente confirmada em 1956 com a descoberta do grande Rolo de Salmos da Caverna 11 de Qumrán (11QPsa), onde os textos hebraicos originais dos Salmos 151, 154 e 155 foram encontrados copiados na primeira metade do primeiro século d.C., demonstrando que circulavam na Judeia muito antes de sua compilação em Edessa.

Na tradição eclesiástica, a Peshitta permaneceu como a Bíblia viva e litúrgica das Igrejas de tradição siríaca (Igreja do Oriente, Ortodoxa Siríaca e Maronita). Os cinco salmos foram editados criticamente no Ocidente moderno por William Wright em 1887, Alphonse Mingana em 1927 e Martin Noth em 1930, figurando na edição crítica monumental do Peshitta Institute de Leiden.

Fontes

Dossiê

A Bíblia das igrejas de tradição siríaca, em aramaico de Edessa: uma tradução antiga do hebraico e do grego que ainda é lida na liturgia.

De onde vem este texto

A tradução do Antigo Testamento, feita em grande parte do hebraico, é atribuída a judeus ou judeu-cristãos e situada até o século II. A do Novo Testamento, feita do grego, é do início do século V. O nome vem do siríaco pshitta, «simples».

Lugar na tradição bíblica

Não é um livro à parte, mas uma versão de toda a Bíblia. Em sua primeira forma, deixava de fora 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse, que só entraram na revisão de 616.

Datação, manuscritos e recepção

A Peshitta é a Bíblia padrão das igrejas de tradição siríaca. O nome vem do siríaco pshitta, «simples», embora também se traduza por «comum» ou «direta». O Antigo Testamento foi traduzido em grande parte do hebraico, com apoio da Septuaginta e dos Targuns, por judeus ou judeu-cristãos, até o século II. O Novo Testamento foi traduzido do grego, provavelmente no início do século V.

Essa primeira versão do Novo Testamento deixava de fora cinco livros discutidos: 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Eles só entraram na versão Harkleana, de Tomé de Harqel, de 616. A Peshitta circulou muito na Ásia e influenciou as versões armênia, georgiana, árabe e persa. A estela nestoriana de Chang'an, do século VIII, é sinal de que as Escrituras em siríaco chegaram à China.

O que você vai encontrar

  • Preserva leituras que ajudam a comparar o texto hebraico, a Septuaginta e os manuscritos gregos.
  • Seus leitores falavam uma variedade do aramaico, a língua que Jesus e os apóstolos usavam no dia a dia.
  • Serviu de base para versões armênia, georgiana, árabe e persa.
  • Uma estela do século VIII em Chang'an (China) atesta a presença das Escrituras em siríaco no extremo oriente.

Perguntas frequentes

Peshitta quer dizer o quê?
Vem do siríaco pshitta, «simples». Também se traduz como «comum», no sentido de feita para todos, ou «direta».
A Peshitta é mais antiga que os manuscritos gregos?
Não no Novo Testamento, que foi traduzido do grego no início do século V. No Antigo Testamento a tradução é bem mais antiga, e por isso interessa aos estudiosos do texto hebraico.

Fontes

  • S. P. Brock, The Bible in the Syriac Tradition, 2nd ed. (Piscataway: Gorgias Press, 2006).
  • M. P. Weitzman, The Syriac Version of the Old Testament: An Introduction (Cambridge: Cambridge University Press, 1999).
  • F. Cross & E. Livingstone (eds.), The Oxford Dictionary of the Christian Church, 3rd ed. (Oxford: Oxford University Press, 2005), s.v. «Peshitta».

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