LUX VERITAS

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Apócrifos

Pistis Sophia

Sabedoria da Fé

148 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Pistis Sophia (London: J. M. Watkins), G. R. S. Mead, 1921 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Pistis Sophia (London: J. M. Watkins), G. R. S. Mead (1921) · domínio público

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Autoria, data e contexto

Pistis Sophia é uma coleção anônima de diálogos de revelação atribuídos, na narrativa, a Jesus ressuscitado e a seus discípulos. Não há prova de que as conversas ocorreram historicamente. O texto grego subjacente à tradução copta costuma ser situado no século III; a data da composição não é a data do manuscrito sobrevivente. O Códice Askew, em copta saídico, é estimado pela base 4CARE nos séculos IV–V, enquanto o catálogo da British Library admite faixa mais ampla. Maria Madalena participa com frequência das perguntas e interpretações.

Estrutura dos cento e quarenta e oito capítulos

O arquivo do site divide o conjunto em 148 capítulos. Em 1–29, Jesus descreve sua ascensão, a veste luminosa e os poderes dos éons. Em 30–81, predomina a queda, as penitências e a restauração de Pistis Sophia, com intervenções dos discípulos. Os capítulos 82–111 deslocam o diálogo para os mistérios, a ordem das regiões e o destino das almas. Em 112–135, multiplicam-se perguntas sobre castigos, arrependimento e libertação. Os capítulos 136–148 retomam uma cena de ensino e terminam com instruções sobre governantes, almas e bênção aos discípulos.

Temas e passagens-chave

Em 30–32, Pistis Sophia perde sua luz, desce ao caos e passa a clamar pela luz superior. As explicações de Maria, Pedro, Marta e outros em 33–61 relacionam suas penitências a palavras de salmos e cânticos; o diálogo transforma interpretação textual em parte da ação. A libertação narrada em 64–81 não encerra as perguntas: os capítulos 102–111 tratam da divulgação dos mistérios e da possibilidade de pecar depois de recebê-los. Os juízos em 112–123 distinguem faltas, destinos e condições de arrependimento dentro da cosmologia própria da obra.

Resumo por partes

1–29: Jesus aparece aos discípulos após a ressurreição, fala de sua veste de luz e descreve a passagem pelas esferas e pelos governantes celestes.

30–81: Pistis Sophia é enganada, perde poder luminoso e entoa sucessivas súplicas. Os discípulos propõem interpretações; Jesus relata ajuda e restauração.

82–135: Perguntas de Maria e dos demais conduzem a explicações sobre mistérios, almas, castigos e retorno à luz. A obra alterna mapas do cosmos e instruções éticas.

136–148: Uma nova cena no Monte das Oliveiras abre ensinamentos sobre governantes e percursos das almas. O texto local fecha com pedido de instrução e bênção de Jesus.

Recepção e manuscrito

O testemunho principal é o Códice Askew, hoje British Library Add MS 5114; a descrição 4CARE informa lacunas materiais e distingue duas mãos de copistas. A obra não integra o cânon bíblico das igrejas históricas. O título convencional não significa que todos os capítulos sejam uma narrativa contínua da personagem Pistis Sophia: após sua restauração, o manuscrito prossegue com outros diálogos. A divisão em capítulos desta página é uma ferramenta de leitura da edição, não uma garantia de unidades autorais originais.

Fontes

Dossiê

Jesus, onze anos depois da ressurreição, ensinando aos discípulos o que não pôde ensinar antes — e Maria Madalena fazendo a maior parte das perguntas.

De onde vem este texto

Copta, dos séculos III ou IV d.C., preservado no Codex Askewianus, comprado por um livreiro londrino no século XVIII. É um dos textos gnósticos mais extensos que sobreviveram, e chegou à Europa antes mesmo da descoberta de Nag Hammadi.

Por que não está na Bíblia

Nunca esteve em cânone. É obra gnóstica tardia, escrita quando as fronteiras entre igreja e escolas gnósticas já estavam traçadas.

O que você vai encontrar

  • Abre onze anos depois da ressurreição, com Jesus ainda ensinando os discípulos — a moldura mais estranha desta literatura.
  • O vocabulário é de iniciação: Primeiro Mandamento, Primeiro Mistério, o Mistério Vinte e Quatro.
  • O texto admite que os discípulos não entendiam: pensavam que aquele Mistério era a cabeça de tudo o que existe.
  • A estrutura é de aula — pergunta, resposta, e a conferência de quem acompanhou.

Perguntas frequentes

Pistis Sophia é um evangelho gnóstico?
É um texto gnóstico, mas não no formato de evangelho: é um longo diálogo de ensino entre Jesus ressuscitado e os discípulos, dos séculos III ou IV.

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