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Odes de Salomão

Odae Solomontos

42 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

42 hinos cristãos primitivos, provavelmente do século II, em imagens de leite, coroa e água viva. A poesia litúrgica mais antiga que sobreviveu fora do Salmo. Texto em inglês: The Odes and Psalms of Solomon, vol. 2 (Manchester University Press), J. Rendel Harris and Alphonse Mingana, 1920 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: The Odes and Psalms of Solomon, vol. 2 (Manchester University Press), J. Rendel Harris and Alphonse Mingana (1920) · domínio público

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Autoria, data e contexto

Apesar do nome de Salomão, as odes não identificam seu autor e não podem ser atribuídas ao antigo rei por esse título. São poemas religiosos de ambiente cristão antigo; o lugar, a língua original e a data de composição permanecem discutidos. James H. Charlesworth propõe uma coleção concluída no início do século II, talvez antes de 125 d.C.; a edição de Cambridge ressalta que tais questões continuam abertas. Um papiro grego do século III com a Ode 11 e uma citação latina da Ode 19 por Lactâncio mostram que parte da coleção circulava antes dos manuscritos siríacos mais completos.

Estrutura das quarenta e duas entradas

Este site numera 1–42, mas a entrada 2 declara que a ode está ausente; não há ali poema a resumir. As unidades são cânticos, não capítulos de uma história contínua. Em 3–16 aparecem amor, verdade, água e louvor; 17–30 incluem vitória sobre a morte, nascimento, Espírito e imagens de libertação. Em 31–42 surgem perseguição, descanso, travessia e uma voz que anuncia libertação. A recorrência de imagens atravessa esses grupos sem exigir que todos tenham sido compostos na ordem atual.

Temas e passagens-chave

Na Ode 6, a água que se espalha apresenta a vida como dom compartilhado. A Ode 11 liga fruto e paraíso à transformação interior; a 19 emprega imagens de leite e nascimento. A pomba e o Espírito aparecem em 24, enquanto 27 aproxima braços estendidos e madeira erguida. Em 30, uma fonte convida os sedentos; em 38, verdade e erro são contrastados como caminhos. A Ode 42 fala da descida aos mortos e da libertação deles. Essas imagens permitem uma leitura cristã, mas nem toda voz em primeira pessoa deve ser identificada automaticamente com a mesma personagem.

Resumo por partes

1–16: A Ode 1 usa a coroa viva; a 2 só registra uma lacuna. Os cânticos seguintes alternam a voz individual e os convites coletivos para louvar. Amor, Palavra, luz e água aparecem em 3–12; 13–16 acrescentam espelho, oração e imagens da criação.

17–30: O cantor fala de coroa e libertação em 17; 19 descreve nascimento por metáforas incomuns. Em 22 há descida e subida, em 24 uma pomba pousa sobre o Messias, e 27 evoca a madeira erguida. As águas de 30 são oferecidas a quem tem sede.

31–42: Vozes de oposição e perseverança atravessam 31–38. A travessia de águas em 39 é seguida de louvor e esperança em 40–41. A última ode reúne mãos estendidas, confronto com a morte e anúncio de liberdade aos cativos.

Recepção e manuscritos

O testemunho mais amplo vem de dois manuscritos siríacos incompletos. A Ode 11 também sobrevive em grego; partes de cinco odes aparecem em copta na Pistis Sophia, e Lactâncio cita a Ode 19 em latim. A perda integral da Ode 2 e do começo da 3 impede tratar as 42 entradas locais como 42 poemas completos. Odes de Salomão e Salmos de Salomão são coleções diferentes, apesar do nome compartilhado e de sua transmissão próxima em um manuscrito.

Fontes

Dossiê

Quarenta e dois hinos cristãos primitivos, cheios de imagens de água, leite, coroa e pombo — a poesia mais antiga da igreja que chegou até nós.

De onde vem este texto

Provavelmente do fim do século I ou do II d.C., quase certamente em siríaco, embora se discuta um original grego. Foram redescobertos em 1909, num manuscrito siríaco que J. Rendel Harris identificou por acaso na própria estante.

Por que não está na Bíblia

Nunca fizeram parte de cânone. Uma parte delas, porém, é citada dentro da Pistis Sophia, o que mostra que circulavam com autoridade em certos círculos.

O que você vai encontrar

  • A ode 19, com a imagem do leite do Pai e da concepção da Virgem, é uma das passagens mais estranhas e belas da poesia cristã antiga.
  • A ode 42 traz Cristo descendo ao mundo dos mortos e sendo recebido por eles.
  • O eu que fala alterna entre o fiel e o próprio Cristo, sem aviso — recurso que atravessa a coleção inteira.

Perguntas frequentes

As Odes de Salomão são cristãs ou judaicas?
A maioria dos estudiosos as considera cristãs primitivas, possivelmente de um meio judaico-cristão siríaco. Houve quem defendesse origem judaica com retoques cristãos, mas essa leitura perdeu força.

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