LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Apócrifos

Salmos de Salomão

Psalmoi Solomontos

18 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament, vol. 2, The Psalms of Solomon (Oxford: Clarendon Press), G. Buchanan Gray, 1913 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament, vol. 2, The Psalms of Solomon (Oxford: Clarendon Press), G. Buchanan Gray (1913) · domínio público

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Autoria, data e contexto

Os dezoito Salmos de Salomão são poemas judaicos atribuídos a Salomão pelo título, sem que o rei seja seu autor histórico. Crawford Howell Toy relaciona as alusões à invasão de Jerusalém e à morte do invasor com Pompeu, que tomou a cidade em 63 a.C. e morreu em 48 a.C.; propõe para a coleção o período de 70–40 a.C. Essa identificação é uma interpretação histórica dos poemas, não uma data declarada por eles. O texto grego conservado pode traduzir um original hebraico perdido; a data da tradução permanece incerta.

Estrutura dos dezoito salmos

Os poemas 1–2 passam da prosperidade arrogante à invasão e ao julgamento do conquistador. Os salmos 3–8 alternam confiança, denúncia de dirigentes e súplicas diante da guerra. Em 9–16, confissão, disciplina, proteção e esperança para Israel aparecem em orações de diferentes vozes. Os salmos 17–18 encerram a coleção com a esperança de um governante davídico justo e uma nova súplica pela misericórdia divina. A numeração corresponde aos dezoito capítulos do arquivo local.

Temas e passagens-chave

O salmo 2 contrapõe a violência do invasor ao julgamento que alcança o próprio conquistador. Em 3:12, a esperança do justo ultrapassa a morte; em 8, o desastre público também provoca exame das faltas internas de Jerusalém. O salmo 11 convoca a cidade a acolher os dispersos. Em 17, o pedido por um filho de Davi vincula governo legítimo, justiça e reunião de Israel. O salmo 18 insiste em misericórdia e correção. A coleção não fala com uma única voz: lamento comunitário e oração pessoal se sucedem.

Resumo por partes

1–4: O orante reconhece a presunção de sua comunidade. Seguem o ataque estrangeiro, a profanação e a queda do agressor; a bênção dos justos contrasta com a denúncia de um homem que se apresenta como piedoso sem agir assim.

5–8: Pedidos de sustento, proteção e proximidade de Deus levam à descrição de guerra em Jerusalém. O salmo 8 responsabiliza também os dirigentes locais, em vez de atribuir toda a crise apenas ao inimigo externo.

9–16: A recordação do exílio abre uma sequência de confissão e confiança. O toque de trombeta do salmo 11 anuncia o retorno dos dispersos; outros poemas pedem livramento da calúnia, celebram a correção divina e distinguem o destino dos piedosos e dos violentos.

17–18: O salmo 17 pede um rei descendente de Davi que purifique Jerusalém e governe com justiça. O último poema retoma a bondade de Deus para Israel e a esperança ligada ao ungido.

Recepção e manuscritos

A Jewish Encyclopedia registra que a obra não pertence à Septuaginta e que o texto conhecido sobrevive em grego e em traduções dele. A atribuição a Salomão é tardia e incerta. Os poemas devem ser distinguidos tanto do Saltério bíblico quanto das Odes de Salomão: aqui são dezoito composições ligadas a conflitos judaicos do fim do período do Segundo Templo.

Fontes

Dossiê

Dezoito salmos escritos na geração que viu um general romano entrar no Santo dos Santos — e que precisou explicar a si mesma como Deus permitiu aquilo.

De onde vem este texto

Compostos em hebraico em meados do século I a.C., logo após a tomada de Jerusalém por Pompeu, em 63 a.C. Sobreviveram apenas em grego e siríaco. Aparecem listados em índices de manuscritos bíblicos antigos, embora o texto em si nem sempre esteja ali.

Por que não está na Bíblia

Fora dos cânones. Chegaram a constar em listas de livros anexos a manuscritos gregos, sinal de que eram tratados com respeito, mas nunca foram recebidos como Escritura.

O que você vai encontrar

  • Os salmos 17 e 18 trazem a descrição messiânica mais detalhada da literatura judaica pré-cristã — o Filho de Davi que purifica Jerusalém sem exército.
  • A morte de Pompeu no Egito é lida como resposta direta à profanação do Templo.
  • A crítica interna à aristocracia sacerdotal é tão dura quanto a feita ao invasor.

Perguntas frequentes

Os Salmos de Salomão são os mesmos salmos da Bíblia?
Não. São dezoito poemas distintos, escritos cerca de novecentos anos depois de Salomão, e não têm relação com o livro de Salmos canônico.

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