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Apócrifos

Oração de Manassés

Arrependimento

1 capítulo · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: King James Version, Apocrypha, Prayer of Manasses (London: Robert Barker), King James Version translators, 1611 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: King James Version, Apocrypha, Prayer of Manasses (London: Robert Barker), King James Version translators (1611) · domínio público

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Autoria, data e contexto

A Oração de Manassés é uma composição penitencial helenística atribuída pela tradição bíblica a Manassés, monarca de Judá levado cativo para a Babilônia pelos assírios, suprindo a prece aludida em 2 Crônicas 33:11-19. Críticos como Frank C. Porter, Henry Barclay Swete e Emil Schürer afirmam que o original foi redigido diretamente em grego por um autor judeu culto entre o segundo século a.C. e o primeiro século d.C. Em contrapartida, Heinrich Ewald e Karl Budde defenderam a tese minoritária de uma redação hebraica subjacente perdida.

Eberhard Nestle sustentou que a prece circulou primariamente integrada à Didascalia dos Apóstolos siríaca e às Constituições Apostólicas (livro II, capítulo 22), de onde teria sido transposta para apêndices do Saltério grego. O ambiente de composição reflete a espiritualidade do judaísmo do Segundo Templo, voltada à doutrina do perdão divino para apóstatas e idólatras arrependidos.

Estrutura

O texto compõe um único capítulo lírico e penitencial, numerado habitualmente em quinze a dezessete versículos conforme a edição crítica consultada. Sua articulação retórica divide-se com clareza em quatro movimentos litúrgicos.

A introdução inicia com a invocação ao Deus soberano dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, exaltando a majestade cósmica da criação. O segundo trecho enfatiza a inesgotável clemência divina ao instituir o arrependimento não apenas aos justos históricos, mas especificamente aos transgressores. O terceiro movimento traz a confissão dolorosa das abominações idolátricas e da opressão física sob grilhões de ferro. A conclusão expressa a súplica confiante por absolvição, culminando em doxologia perpétua das hostes celestes.

Temas e passagens-chave

O tema teológico preponderante é a eficácia do arrependimento profundo diante da imensa benevolência do Criador. Deus não é descrito apenas como juiz reto, mas como refúgio compassivo de quem reconhece culpas incalculáveis, superando em número as areias marinhas.

Destaca-se a metáfora da contrição interior manifestada no versículo onze, em que o rei diz dobrar o joelho do coração ao pedir a bondade de Deus.

Resumo por partes

Invocação inicial (versículos 1-4): O orador louva o Senhor Todo-Poderoso, que cingiu o mar por sua palavra potente e selou o abismo diante de seu temível poder, cuja glória é insuportável para os ímpios.

Instituição da penitência (versículos 5-8): Declara-se que a misericórdia de Deus é imensurável, pois Ele prescreveu a penitência para a salvação; embora os patriarcas imaculados não tenham pecado contra a aliança, a reconciliação foi aberta para os culpados.

Confissão e grilhões (versículos 9-11): O rei confessa que multiplicou ofensas e abominações idolátricas, encontrando-se encurvado sob pesadas cadeias de ferro sem poder erguer a cabeça por causa da ira divina despertada.

Súplica e louvor eterno (versículos 12-15): Com joelhos espirituais dobrados, o suplicante implora remissão total de suas faltas, confiando que não será sepultado nos abismos subterrâneos, e celebra a adoração perpétua entoada pelas potestades celestiais.

Recepção

O poema ingressou na liturgia cristã antiga através das Odes anexas ao Saltério da Septuaginta, figurando no prestigioso Codex Alexandrinus (século V) e no Codex Turicensis. Na Igreja Ocidental, manuscritos medievais da Vulgata posicionavam a prece após 2 Crônicas, mas o Concílio de Trento (1546) não a incluiu na lista dos livros canônicos.

A edição padrão da Vulgata Clementina (1592) relegou-a ao apêndice extra-canônico com 3 e 4 Esdras. Martinho Lutero traduziu-a com grande apreço para os apócrifos alemães, e a Tradição Ortodoxa Bizantina a mantém integrada no Ofício de Grandes Completas e em suas edições bíblicas impressas.

Fontes

Dossiê

Quinze versículos: a oração que o rei mais perverso de Judá teria feito, preso na Babilônia, quando entendeu o tamanho do que fez.

De onde vem este texto

Grego, provavelmente dos séculos II ou I a.C. Nasceu para preencher uma lacuna: 2 Crônicas 33 diz que Manassés orou e foi ouvido, mas não registra a oração. Alguém escreveu a que faltava.

Por que não está na Bíblia

Situação intermediária, das mais curiosas do acervo. Não é canônica para católicos nem protestantes, mas foi impressa como apêndice na Vulgata Clementina, é canônica para várias igrejas ortodoxas orientais e entrou na liturgia penitencial de várias tradições.

O que você vai encontrar

  • É a única peça deste acervo que se lê inteira em três minutos.
  • A frase sobre não haver limite para a misericórdia dos que se arrependem entrou em uso litúrgico e nunca mais saiu.
  • Manassés não pede atenuantes: enumera o que fez antes de pedir perdão.

Perguntas frequentes

A Oração de Manassés está na Bíblia católica?
Não no cânone, mas foi impressa como apêndice na Vulgata Clementina. É canônica em igrejas ortodoxas orientais e aparece nos apócrifos de várias Bíblias protestantes antigas, como a King James de 1611.

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