Então vi um sonho, e eis que subia do mar uma águia que tinha doze asas emplumadas e três cabeças.
2E olhei, e eis que ela estendia as suas asas sobre toda a terra, e todos os ventos do ar sopravam sobre ela e se ajuntavam.
3E atentei, e dentre as suas penas cresciam outras penas contrárias; e tornaram-se penas pequenas e curtas.
4Mas as suas cabeças estavam em repouso; a cabeça do meio era maior do que as outras, contudo repousava com as demais.
5Além disso olhei, e eis que a águia voava com as suas penas, e reinava sobre a terra e sobre os que nela habitavam.
6E vi que todas as coisas debaixo do céu lhe estavam sujeitas, e nenhum homem falava contra ela, nem criatura alguma sobre a terra.
7E olhei, e eis que a águia se ergueu sobre as suas garras, e falou às suas penas, dizendo:
8Não vigieis todas de uma vez; durma cada uma no seu próprio lugar e vigie por turno;
9Mas sejam as cabeças reservadas para o fim.
10E olhei, e eis que a voz não saía das suas cabeças, mas do meio do seu corpo.
11E numerei as suas penas contrárias, e eis que eram oito.
12E olhei, e eis que do lado direito se levantou uma pena, e reinou sobre toda a terra;
13E sucedeu que, havendo ela reinado, veio o seu fim, e o seu lugar não apareceu mais; e a seguinte se levantou e reinou, e durou muito tempo;
14E aconteceu que, havendo ela reinado, veio também o seu fim, como o da primeira, de sorte que não apareceu mais.
15Então veio a ela uma voz, e disse:
16Ouve, tu que dominaste sobre a terra por tanto tempo; isto te digo, antes que comeces a não aparecer mais:
17Nenhum depois de ti alcançará o teu tempo, nem mesmo a metade dele.
18Então se levantou a terceira, e reinou como as outras antes, e também não apareceu mais.
19Assim sucedeu com todas as restantes, uma após outra, de modo que cada uma reinou e depois não apareceu mais.
20Então olhei, e eis que no decurso do tempo as penas que se seguiam se levantaram ao lado direito para que reinassem também; e algumas delas reinaram, mas dentro de pouco tempo não apareceram mais;
21Pois algumas delas foram postas, mas não reinaram.
22Depois disto olhei, e eis que as doze penas não apareceram mais, nem as duas penas pequenas;
23E nada mais restava sobre o corpo da águia senão três cabeças que repousavam e seis pequenas asas.
24Então vi também que duas pequenas penas se separaram das seis e ficaram debaixo da cabeça que estava ao lado direito; pois as quatro continuaram no seu lugar.
25E atentei, e eis que as penas que estavam debaixo da asa intentaram levantar-se e tomar o domínio.
26E olhei, e eis que uma foi levantada, mas dentro em breve não apareceu mais.
27E a segunda desapareceu mais depressa do que a primeira.
28E atentei, e eis que as duas que restavam intentaram também em si mesmas reinar;
29E quando assim pensavam, eis que despertou uma das cabeças que estavam em repouso, a saber, a que estava no meio; pois essa era maior do que as outras duas cabeças.
30E então vi que as outras duas cabeças se uniram a ela.
31E eis que a cabeça se voltou com as que estavam com ela, e devorou as duas penas debaixo da asa que intentavam reinar.
32Mas esta cabeça pôs toda a terra em pavor, e dominou nela sobre todos os que habitavam sobre a terra com grande opressão; e teve o governo do mundo mais do que todas as asas que haviam sido.
33E depois disto olhei, e eis que a cabeça que estava no meio subitamente não apareceu mais, como as asas.
34Mas ficaram as duas cabeças, as quais também do mesmo modo reinaram sobre a terra e sobre os que nela habitavam.
35E olhei, e eis que a cabeça do lado direito devorou a que estava do lado esquerdo.
36Então ouvi uma voz que me disse: Olha diante de ti e considera o que vês.
37E olhei, e eis como que um leão bramando, impelido para fora da floresta; e vi que enviou uma voz de homem à águia, e disse:
38Ouve tu, e falarei contigo, e o Altíssimo te dirá:
39Não és tu a que restas dos quatro animais a quem fiz reinar no meu mundo, para que por meio deles viesse o fim dos seus tempos?
40E o quarto veio, e venceu todos os animais passados, e teve poder sobre o mundo com grande espanto, e sobre toda a redondeza da terra com muita e perversa opressão; e por tanto tempo habitou sobre a terra com engano.
41Pois a terra não julgaste com verdade.
42Porque afligiste os mansos, magoaste os pacíficos, amaste os mentirosos, destruíste as moradas dos que davam fruto e derribaste os muros dos que nenhum mal te fizeram.
43Portanto, o teu procedimento injusto subiu até o Altíssimo, e a tua soberba até o Poderoso.
44O Altíssimo também olhou para os tempos orgulhosos, e eis que estão findos, e as suas abominações estão cumpridas.
45E, portanto, não apareças mais, ó águia, nem as tuas horríveis asas, nem as tuas perversas penas, nem as tuas malévolas cabeças, nem as tuas daninhas garras, nem todo o teu corpo vão;
46Para que toda a terra seja refrigerada e possa respirar, sendo liberta da tua violência, e para que espere no juízo e na misericórdia dAquele que a fez.