No terceiro dia, Deus plantou o jardim no oriente da terra, nos confins do mundo ao nascente, além do qual, para o nascer do sol, nada se encontra senão água, que cerca todo o mundo e chega até os limites do céu.
2E ao norte do jardim há um mar de água, clara e pura ao paladar, a nada semelhante; de modo que, pela sua limpidez, pode-se contemplar as profundezas da terra.
3E quando o homem nela se lava, torna-se limpo de sua pureza e branco de sua brancura — ainda que fosse escuro.
4E Deus criou aquele mar segundo o Seu beneplácito, pois sabia o que sucederia ao homem que havia de criar; de sorte que, depois de haver saído do jardim por causa da sua transgressão, nascessem homens na terra, dentre os quais morreriam justos, cujas almas Deus ressuscitaria no último dia, quando voltassem à sua carne, banhassem-se na água daquele mar e todos se arrependessem dos seus pecados.
5Porém, quando Deus fez Adão sair do jardim, não o colocou no limite setentrional, para que não se aproximasse do mar de água, e ele e Eva se lavassem nele, fossem purificados dos seus pecados, apagassem a transgressão cometida e já não se lembrassem dela ao pensar no seu castigo.
6Outrossim, quanto ao lado meridional do jardim, não se agradou Deus de deixar Adão habitar ali; porque, quando o vento soprasse do norte, traria a ele, naquele lado sul, o suave aroma das árvores do jardim.
7Pelo que Deus não pôs Adão ali, para que não aspirasse o doce odor daquelas árvores, esquecesse a sua transgressão e achasse consolo pelo que fizera, deleitando-se no cheiro das árvores sem contudo purificar-se da sua culpa.
8Além disso, porque Deus é misericordioso e de grande compaixão, e governa todas as coisas por modo que só Ele conhece, fez nosso pai Adão habitar na fronteira ocidental do jardim, porquanto daquele lado a terra é mui espaçosa.
9E ordenou-lhe Deus que habitasse ali numa caverna de rocha — a Caverna dos Tesouros, abaixo do jardim.