LUX VERITAS

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Apócrifos

Apocalipse de Abraão

Visão do Trono

32 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Abraão destrói os ídolos do pai, é levado ao alto e vê a história inteira desenhada como um quadro, incluindo a queda no Éden. Texto em inglês: The Apocalypse of Abraham (Society for Promoting Christian Knowledge, 1918), G. H. Box, com J. I. Landsman, 1918 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: The Apocalypse of Abraham (Society for Promoting Christian Knowledge, 1918), G. H. Box, com J. I. Landsman (1918) · domínio público

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Autoria, data e contexto

A obra põe Abraão como narrador, mas não é um escrito do patriarca. George H. Box situa sua composição provável entre o fim do século I e o começo do II d.C., pois a visão lamenta a destruição do templo de Jerusalém. O texto chegou em eslavo antigo; Box propõe um original hebraico ou aramaico e uma etapa grega perdida. Essas etapas são hipóteses, não manuscritos conservados.

Estrutura dos 32 capítulos

Os capítulos 1–8 narram a ruptura de Abraão com os ídolos de seu pai Terá. Em 9–14, uma voz o convoca, e o anjo Iaoel o conduz para oferecer um sacrifício; Azazel intervém junto às aves. A subida, o louvor e a visão celeste ocupam 15–23. Em 24–32, Abraão contempla o destino de seus descendentes, a profanação do santuário, o juízo e a libertação prometida.

Temas e passagens-chave

O ídolo de pedra quebrado em 1 e o ídolo de madeira consumido pelo fogo em 5–6 tornam concreta a crítica a deuses feitos por mãos humanas. A ordem de deixar a casa em 8 separa Abraão do culto de Terá. O confronto com Azazel em 13–14 antecede a contemplação da criação e da humanidade em 19–23. A imagem do templo saqueado em 27 dá à revelação uma pergunta histórica: por que o povo escolhido sofre? A resposta final fala em juízo e reunião dos dispersos, sem apagar o sofrimento narrado.

Resumo por partes

1–8: trabalhando com os ídolos do pai, Abraão vê um deles cair, outro afundar e um terceiro queimar. Questiona Terá sobre o poder dessas imagens; uma voz manda que ele saia, e a casa é consumida.

9–23: Iaoel fortalece Abraão e o leva à montanha. Após o sacrifício e a disputa com Azazel, o patriarca ouve louvores, vê o trono e recebe uma visão da criação, da queda e das porções da humanidade.

24–32: a visão passa ao santuário e à violência contra a descendência de Abraão. Ele pergunta pela duração desse domínio; a resposta anuncia castigos, um eleito e a futura libertação. O capítulo 32 retoma a promessa sobre a saída da servidão estrangeira.

Recepção e transmissão eslava

Box identifica vários manuscritos eslavos e destaca o códice Sylvester, do século XIV, como testemunho antigo da obra. Também discute possíveis ecos em escritos cristãos antigos, mas adverte que algumas identificações são incertas. O material preservado permite ler uma revelação judaica transmitida e por vezes adaptada em meios cristãos; não permite atribuir sua redação ao Abraão da narrativa.

Fontes

Dossiê

Abraão jovem, ainda na loja de ídolos do pai, descobrindo sozinho que aquilo não é deus — e depois levado ao céu para ver a história inteira do mundo desenhada num quadro.

De onde vem este texto

Escrito provavelmente no fim do século I ou no II d.C., a partir de um original semítico perdido. Sobreviveu apenas em eslavo antigo, transmitido pela igreja russa.

Por que não está na Bíblia

Fora de todos os cânones, sem registro de ter sido cogitado.

O que você vai encontrar

  • Abraão narra em primeira pessoa: era ele quem cuidava dos deuses do pai, Terá, e do irmão, Naor.
  • Merumate, o ídolo de pedra, é levado para ser limpo — e é limpando os deuses que o rapaz começa a duvidar deles.
  • A pergunta que move o livro está na segunda linha: qual deles é verdadeiramente o mais forte.
  • Fecha em louvor, com os mistérios revelados e a fórmula pelas eras dos séculos.

Perguntas frequentes

O Apocalipse de Abraão é judaico ou cristão?
O núcleo é judaico, do fim do século I ou do II. Há um trecho com aparência de interpolação cristã, acrescentado na transmissão eslava.

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