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Autoria, data e contexto
O patriarca Abraão protagoniza este relato de sua morte, mas o texto não fornece o nome de quem o compôs. E. P. Sanders o considera provavelmente judaico, de origem egípcia, e o situa no fim do século I d.C.; a introdução da edição de Ante-Nicene Fathers apresenta a proposta anterior de M. R. James, que o datava no século II e admitia uma forma final bem posterior. Essas avaliações não identificam um autor individual. O título Testamento designa uma despedida, embora a narrativa se concentre na resistência de Abraão em entregar a alma.
Estrutura dos vinte capítulos
A versão longa grega, seguida nesta edição, ocupa 1–20. Miguel chega como viajante em 1–3; os presságios domésticos e a revelação de sua missão seguem em 4–9. A viagem de Abraão pelo mundo e pelo lugar de julgamento preenche 10–14. De volta a casa, ele encontra a Morte em 15–20. Existe também uma versão grega mais breve, com diferenças de ordem e de conteúdo; os vinte capítulos daqui não servem para citar essa outra divisão.
Temas e passagens-chave
A hospitalidade inicial em 1–2 explica por que Miguel é recebido antes de ser reconhecido. Em 7–9, Abraão percebe o anúncio da morte, mas negocia uma visão da criação. Durante a viagem, sua reação severa aos pecadores em 10 contrasta com a misericórdia que aprende a pedir em 14. Os dois caminhos e a balança do julgamento em 11–13 dramatizam destinos humanos sem transformar Abraão no juiz. Em 16–20, a Morte muda de aparência e mostra sua força, enquanto Abraão ainda procura adiar a partida.
Resumo por partes
1–9: Deus envia Miguel para avisar Abraão de que sua vida termina. O visitante recebe água e acolhida; uma árvore fala, Isaque sonha, Sara reconhece o mensageiro. Abraão entende o recado, mas pede ver o mundo antes de morrer.
10–14: Miguel o leva numa carruagem. Abraão vê ações humanas e pede punição imediata; Deus o detém. Na porta celeste, ele contempla caminhos, almas e um julgamento com registros e balança. Por fim, intercede por uma alma indecisa e pelos que condenara anteriormente.
15–20: Abraão regressa. A Morte surge primeiro com beleza e depois revela formas aterradoras. Mesmo após essas demonstrações, ele resiste; a Morte enfim toma sua alma. Miguel a recebe, e o corpo é sepultado junto ao carvalho de Mamre.
Recepção e manuscritos
A tradição textual conserva duas recensões gregas, longa e breve, além de versões em outras línguas. A introdução de Ante-Nicene Fathers observa que os manuscritos gregos usados para a edição são medievais e que as versões não são cópias exatas de um original recuperável. A cena da viagem e do julgamento circulou como narrativa sobre a morte do patriarca; a existência de listas antigas de apócrifos que mencionam um escrito de Abraão não prova identidade textual completa com a forma hoje lida. O Testamento de Abraão também não deve ser confundido com o Apocalipse de Abraão, outra obra deste acervo.
Fontes
- W. A. Craigie, The Testament of Abraham (1896).
- Ante-Nicene Fathers, Introduction to the Testament of Abraham (1896).
- Early Jewish Writings, Testament of Abraham (s.d.).