LUX VERITAS

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Apócrifos

Apocalipse de João

O Teólogo

1 capítulo · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Revelation of John, Alexander Walker, 1886 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 8 (Buffalo: Christian Literature Publishing Co., 1886), Revelation of John, Alexander Walker (1886) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O Primeiro Apocalipse Apócrifo de João (conhecido na tradição patrística como Revelação de São João o Teólogo, Apocalypsis Johannis Apocrypha) atribui-se pseudepigraficamente ao apóstolo João Evangelista, o discípulo amado, situado em recolhimento orante no Monte Tabor após a ascensão de Jesus Cristo. Do ponto de vista histórico-crítico, a obra é de autoria anônima, forjada no ambiente litúrgico e monástico do cristianismo bizantino.

A cronologia do texto é amplamente debatida: Constantin von Tischendorf e James H. Charlesworth sustentaram uma redação bizantina tardia (entre os séculos quinto e oitavo d.C.), enquanto análises contemporâneas de Alice Whealey e Emanuela Valeriani situam sua cristalização no início do período islâmico (século sétimo ou oitavo d.C., após 632 d.C.), embora incorpore tradições orais milenaristas muito mais arcaicas que remontam ao século segundo (como a exuberância agrária descrita por Papias de Hierápolis). A obra organiza-se como um diálogo de revelação (erotapokriseis) formulado para responder às angústias das congregações sobre o calendário do Juízo Final, os sinais cósmicos precursores e a sorte post-mortem da humanidade.

Estrutura

O apócrifo compõe-se formalmente como um único bloco narrativo e visionário contínuo (1 capítulo), estruturado mediante uma sequência encadeada de vinte e oito indagações de João respondidas pela voz divina do Salvador.

A narrativa distribui-se em seis movimentos escatológicos: o arrebatamento visionário no Monte Tabor mediante uma nuvem de luz e a visão do livro celestial de sete montanhas de espessura com sete selos; o tempo de fertilidade prodigiosa seguido pela manifestação e fisionomia bestial do Anticristo e a execução profética de Enoque e Elias; a aniquilação física de toda a vida terrena, o toque das trombetas dos arcanjos Miguel e Gabriel e a ressurreição uniforme de todos os mortos com trinta anos de idade; o resgate milagroso aos ares das cruzes, ícones, livros sagrados e cálices litúrgicos, seguido pela combustão e conflagração purificadora da terra em 8.500 côvados de profundidade; a abertura dos sete selos pelo Cordeiro místico e a sessão judiciária solene do grande tribunal cósmico; e a fusão do Paraíso com a terra glorificada em dia sem fim, concluindo com o retorno do apóstolo ao cume do monte.

Temas e passagens-chave

Os temas centrais englobam a expectativa iminente da Parusia, a ressurreição corporal homogênea (todos os homens renascem na perfeição dos trinta anos, sem velhice ou infância, iguais como abelhas em uma colmeia), o resgate dos símbolos e objetos litúrgicos da Igreja antes da conflagração do cosmos, e a soberania divina absoluta sobre as potestades das trevas.

Ao contemplar a beatitude eterna da criação renovada após a extinção das dores terrenas, a voz divina declara solenemente ao discípulo: 'after that there is no pain, there is no grief, there is no groaning; there is no recollection of evils, there are no tears... but all is day.'

Resumo por partes

Arrebatamento no Tabor e o livro incomensurável: Após jejuar e orar por sete dias no Monte Tabor, João é erguido aos céus em uma nuvem resplandecente, onde contempla o firmamento aberto e um gigantesco livro lacrado por sete selos, contendo as obras e destinos de toda a raça de Adão.

Abundância agrícola, o Anticristo e suas obras: O Salvador anuncia uma colheita sem precedentes na qual uma videira dará mil cachos e um cacho renderá meio barril de vinho, sucedida por seca universal e pela ascensão do Anticristo (descrito com cabelos pontiagudos como dardos, sobrancelhas de fera, olho direito como estrela matutina e unhas como foices), que governará por três anos miraculosamente abreviados antes de abater Enoque e Elias.

Morte universal e o despertar das trombetas: A humanidade inteira expira sobre a face da terra; ao soar das trombetas de Miguel e Gabriel, todos os defuntos desde os tempos de Adão ressurgem dos sepulcros com a idade uniforme de trinta anos, incorpóreos e assemelhados em estatura e semblante como abelhas.

Preservação dos sacramentos e incineração da terra: Hostes angelicais transportam aos céus as imagens veneráveis, as cruzes sagradas e os livros divinos; em seguida, labaredas celestes incineram a terra até oito mil e quinhentos côvados, e quatro grandes ventos varrem o planeta até deixá-lo tão limpo, plano e alvo como uma folha de papel virgem.

Abertura dos selos e justiça perene: O Cordeiro de sete olhos e chifres rompe sucessivamente os sete selos celestiais, desmoronando astros e oceanos; os pecadores, tiranos e idólatras são precipitados no abismo sem fundo do Hades, enquanto os fiéis herdam a terra fundida ao Paraíso celestial, onde não haverá treva nem morte.

Recepção

O texto nunca foi integrado ao cânon do Novo Testamento por nenhuma igreja histórica ocidental ou oriental, permanecendo classificado como literatura visionária apócrifa do ciclo pós-bíblico. Nada obstante, gozou de imensa popularidade na piedade popular cristã da Idade Média oriental, circulando amplamente no Império Bizantino e sendo traduzido precocemente para o eslavo eclesiástico (com mais de duas dezenas de manuscritos identificados na Rússia, Bulgária e Sérvia), além de versões árabes e armênias guardadas no Mosteiro de Santa Catarina no Sinai.

A tradição grega direta conserva-se em mais de trinta códices medievais, distribuídos pela Biblioteca Marciana de Veneza, a Biblioteca Nacional de Paris e o Vaticano. Andreas Birch publicou a editio princeps em Copenhague em 1804 (baseada em códices de Viena e do Vaticano), e Konstantin von Tischendorf fixou a edição crítica monumental em 1866 em Apocalypses Apocryphae. Alexander Walker verteu a obra ao inglês na série Ante-Nicene Christian Library (1873), republicada no tomo oitavo de The Ante-Nicene Fathers (1886) e disponibilizada na coleção digital New Advent.

Fontes

Dossiê

Um diálogo no monte Tabor em que João pergunta e Cristo responde sobre o fim: quando será, o que acontece com a terra, como serão os corpos ressuscitados.

De onde vem este texto

Grego, de datação incerta e posterior ao Novo Testamento. Não tem relação com o Apocalipse canônico além do nome atribuído.

Por que não está na Bíblia

Fora de todos os cânones.

Datação, manuscritos e recepção

O texto é um apocalipse cristão em grego, editado por Tischendorf em 1866 na coletânea Apocalypses Apocryphae. Ele não tem relação literária com o Apocalipse do Novo Testamento: divide com ele o nome do vidente e o gênero das revelações sobre o fim, nada mais. O livro canônico, em Apocalipse 1:9, situa o vidente na ilha de Patmos; esta obra o coloca em diálogo com Cristo em outro cenário.

A datação é incerta, mas o texto é sem dúvida posterior ao livro canônico. O contraste ajuda a ler os dois: o Apocalipse de João levou tempo para ser aceito em todo o Oriente. A primeira versão siríaca do Novo Testamento, a Peshitta do início do século V, ainda deixava o Apocalipse de fora, e ele só entrou na revisão Harkleana de 616.

O que você vai encontrar

  • O formato de pergunta e resposta torna o texto mais direto que o Apocalipse canônico.
  • A descrição da terra sendo renovada e das idades dos ressuscitados.
  • As respostas sobre o anticristo retomam material que já circulava havia séculos.

Perguntas frequentes

Este é o Apocalipse que está na Bíblia?
Não. O Apocalipse canônico é o último livro do Novo Testamento. Este é um texto apócrifo posterior, também atribuído a João, em forma de diálogo.

Fontes

  • C. von Tischendorf, Apocalypses Apocryphae (Leipzig: Mendelssohn, 1866).
  • S. P. Brock, The Bible in the Syriac Tradition, 2nd ed. (Piscataway: Gorgias Press, 2006).
  • W. Schneemelcher (ed.), New Testament Apocrypha, rev. ed., 2 vols. (Cambridge: James Clarke; Louisville: Westminster John Knox, 1991–1992).

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