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Autoria, data e contexto
O Apocalipse de Tomé põe na voz do Salvador uma revelação dirigida a Tomé, mas não informa o nome de quem compôs a obra. Sobrevive em versões latinas curtas, longas e abreviadas; a forma longa contém uma sequência de governantes ausente da curta. Essa passagem costuma ser relacionada aos filhos do imperador Teodósio, mas não permite atribuir uma data única a todas as camadas do texto. A versão local corresponde ao relato dos sinais finais, não a uma biografia do apóstolo.
Estrutura
Nesta edição o texto ocupa um capítulo. Começa com a convocação de Tomé e uma descrição de guerras, fome e pestes. Em seguida enumera sinais celestes e terrestres do primeiro ao sétimo dia. Entre o sexto e o sétimo, apresenta a vinda de Cristo, a ressurreição e a elevação dos eleitos. Uma voz no oitavo dia antecede o fecho que identifica a fala como palavras do Salvador a Tomé.
Temas e passagens-chave
A abertura declara que nem os príncipes dos anjos sabem quando ocorrerão os acontecimentos. Nuvem de sangue, portões do céu, abismo, terremoto e escurecimento dos astros compõem a série de sinais. O retorno dos espíritos a seus corpos e a transformação dos santos deslocam o foco da destruição para a esperança dos eleitos. A organização por dias oferece ordem narrativa, não uma data histórica verificável.
Resumo por partes
Abertura e dias 1–4: O Salvador anuncia conflitos entre reis, escassez e sofrimento. No primeiro dia surge a nuvem sanguinolenta; no segundo, abrem-se os portões celestes; no terceiro, os abismos e a fumaça aterrorizam; no quarto, um terremoto derruba construções.
Dias 5–6: Sol, lua e estrelas deixam de iluminar. O céu se abre e os anjos se tornam visíveis. As pessoas procuram esconderijo, mas a narrativa passa à chegada de Cristo e à ressurreição e transformação dos santos.
Dias 7–8 e fecho: Anjos recolhem os eleitos no sétimo dia. No oitavo soa uma voz suave do oriente. O capítulo termina identificando o conjunto como palavras do Salvador dirigidas a Tomé.
Recepção
A transmissão em manuscritos latinos apresenta formas diferentes, e o texto também influenciou tradições em inglês antigo. Trata-se de um apocalipse cristão extracânonico, distinto do Evangelho da Infância de Tomé e do Evangelho de Tomé. As diferenças entre testemunhos recomendam não projetar cada episódio da versão longa sobre o capítulo curto desta edição.
Fontes
- Tony Burke e Matthias Geigenfeind, Apocalypse of Thomas, e-Clavis: Christian Apocrypha (2018, atualizado em 2023).