De novo me disse: “Ama a verdade, e que nada senão a verdade saia da tua boca, para que o espírito que Deus pôs na tua carne seja achado verdadeiro diante de todos os homens; e o Senhor, que habita em ti, será glorificado, porque o Senhor é verdadeiro em toda palavra, e nele não há falsidade. Os que, portanto, mentem negam o Senhor e o roubam, não lhe devolvendo o depósito que receberam. Pois dele receberam um espírito livre de falsidade.
2Se lhe devolvem este espírito não veraz, contaminam o mandamento do Senhor e se tornam ladrões.” Ao ouvir estas palavras, chorei violentissimamente. Quando ele me viu chorar, disse-me: “Por que choras?” E eu disse: “Porque, senhor, não sei se posso ser salvo.” “Por quê?” disse ele. E eu disse: “Porque, senhor, nunca disse uma palavra verdadeira na minha vida, mas sempre falei com astúcia a todos e afirmei uma mentira como verdade a todos; e ninguém jamais me contradisse, mas deu-se crédito à minha palavra.
3Como, pois, posso viver, já que agi assim?” E ele me disse: “Os teus sentimentos são de fato retos e sadios, pois deverias, como servo de Deus, ter andado na verdade, e não ter unido uma má consciência ao espírito da verdade, nem ter causado tristeza ao Espírito santo e verdadeiro.” E eu lhe disse: “Nunca, senhor, ouvi estas palavras com tanta atenção.” E ele me disse: “Agora as ouves; guarda-as, para que até as falsidades que outrora disseste nos teus negócios venham a ser cridas pela veracidade das tuas declarações presentes.
4Pois até elas podem tornar-se dignas de crédito. Se guardares estes preceitos e daqui em diante nada falares senão a verdade, ser-te-á possível obter a vida. E todo aquele que ouvir este mandamento e se afastar daquela grande maldade, a mentira, viverá para Deus.”