Por isso foram dignamente castigados por criaturas semelhantes, e atormentados por uma multidão de animais.
2Em lugar desse castigo, tratando com benignidade o teu povo, preparaste-lhe um alimento de sabor maravilhoso, codornizes, para despertar o seu apetite,
3a fim de que aqueles, desejando comida, perdessem até o apetite necessário, por causa da vista repugnante dos animais enviados contra eles; mas estes, sofrendo escassez por pouco tempo, participassem de um sabor novo.
4Pois era necessário que sobre aqueles que exerciam tirania viesse uma escassez inevitável, mas que a estes apenas se mostrasse como os seus inimigos eram atormentados.
5Pois, quando veio sobre estes o terrível furor das feras, e pereciam pelas mordidas das serpentes tortuosas, a tua ira não durou até o fim;
6mas foram perturbados por pouco tempo, para serem advertidos, tendo um sinal de salvação que lhes recordasse o mandamento da tua lei.
7Pois quem se voltava para ele não era salvo pelo que via, mas por ti, que és o Salvador de todos.
8E com isso fizeste os teus inimigos reconhecer que és tu quem livra de todo mal.
9Pois a eles as mordidas dos gafanhotos e das moscas os matavam, e não se achou remédio para a sua vida, porque eram dignos de ser castigados por tais bichos.
10Mas aos teus filhos nem os dentes dos dragões venenosos venceram; porque a tua misericórdia veio em seu socorro e os curou.
11Pois eram picados para que se lembrassem das tuas palavras, e logo eram salvos, para que, não caindo em profundo esquecimento, estivessem sempre atentos aos teus benefícios.
12Pois não foi erva nem emplastro que os curou, mas a tua palavra, ó Senhor, que tudo cura.
13Pois tu tens poder sobre a vida e a morte; conduzes às portas do Hades e de lá fazes subir.
14O homem, na verdade, mata pela sua malícia; mas o espírito, uma vez saído, não volta, nem a alma recolhida é restituída.
15Mas não é possível escapar da tua mão.
16Pois os ímpios, que negaram conhecer-te, foram açoitados pela força do teu braço; foram perseguidos por chuvas estranhas, granizos e aguaceiros inevitáveis, e consumidos pelo fogo.
17Pois, o que é mais maravilhoso, o fogo tinha mais força na água, que tudo apaga; porque o universo peleja pelos justos.
18Pois às vezes a chama se abrandava, para não queimar os animais enviados contra os ímpios, mas para que eles mesmos vissem e entendessem que eram perseguidos pelo juízo de Deus.
19E outras vezes ardia, mesmo no meio da água, acima da força do fogo, para destruir os frutos de uma terra injusta.
20Em lugar disso, alimentaste o teu povo com o alimento dos anjos, e lhes enviaste do céu pão preparado sem trabalho, capaz de proporcionar todo deleite e adaptado a todo gosto.
21Pois o teu sustento manifestava a tua doçura para com os teus filhos, e, servindo ao desejo de quem o comia, se transformava segundo o gosto de cada um.
22Mas a neve e o gelo suportavam o fogo sem se derreter, para que soubessem que o fogo, ardendo no granizo e faiscando na chuva, destruía os frutos dos inimigos.
23Mas este, por sua vez, esquecia até a sua própria força, para que os justos fossem alimentados.
24Pois a criação que te serve, a ti que és o Criador, redobra a sua força contra os injustos para castigo, e a abranda em favor dos que confiam em ti.
25Por isso também então, transformando-se em tudo, servia à tua graça, que a todos alimenta, segundo o desejo dos necessitados;
26para que os teus filhos, ó Senhor, a quem amas, soubessem que não são as colheitas de frutos que alimentam o homem, mas que é a tua palavra que conserva os que confiam em ti.
27Pois aquilo que o fogo não destruía, aquecido por um leve raio de sol, logo se derretia,
28para que se soubesse que é preciso antecipar-se ao sol para te dar graças, e orar a ti ao romper do dia.
29Pois a esperança do ingrato se derreterá como a geada do inverno, e escorrerá como água inútil.