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Apócrifos

Testamento de Jó

Pseudepígrafo

12 capítulos · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: Apocrypha Anecdota II, Texts and Studies 5/1, M. R. James, 1897 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Apocrypha Anecdota II, Texts and Studies 5/1, M. R. James (1897) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O Testamento de Jó transforma a figura do livro bíblico em narrador de uma despedida aos filhos. Ele declara vínculos familiares e conta sua vida antes da morte; isso é uma moldura literária, não assinatura verificável. A pesquisa diverge quanto à origem judaica ou cristã de partes da obra e propõe datas distintas entre o fim do período anterior à era comum e os primeiros séculos da era comum. A edição deste site distribui o relato em doze capítulos; outras edições têm numeração diferente.

Estrutura dos doze capítulos

Em 1–2, Jó reúne filhos e filhas, recorda a destruição de um templo de ídolo e recebe aviso do ataque de Satanás. Os capítulos 3–4 descrevem sua antiga generosidade e o início das perdas. Em 5–6, a doença, a fome e o confronto de Sitis com Satanás intensificam a prova. Os amigos chegam e discutem com Jó em 7–10. Os capítulos 11–12 tratam da herança das filhas, de seus hinos e da morte de Jó.

Temas e passagens-chave

A ajuda a órfãos e viúvas em 3 mostra a riqueza como responsabilidade, antes de sua perda. A destruição do templo em 2 faz da hostilidade de Satanás resposta ao abandono dos ídolos. Sitis procura pão e discute com Jó em 5–6 e 9; o sofrimento dela não é mero cenário da paciência do marido. Em 11, as filhas recebem uma herança especial ligada ao louvor, em contraste com os bens materiais esperados. O encerramento em 12 reúne canto, morte e sepultamento.

Resumo por partes

1–4: Já doente, Jó chama os filhos e retoma a história de sua conversão, da generosidade com necessitados e da perda de casa, rebanhos e filhos. O narrador apresenta Satanás como agente da prova.

5–10: A doença deixa Jó exposto e empobrece Sitis. Ela tenta obter comida, confronta o marido e morre. Amigos o visitam, mas suas explicações entram em conflito com a confiança dele na restauração divina.

11–12: Jó volta a distribuir benefícios e entrega às filhas uma herança que desperta canto espiritual. Seu irmão assume a narração da morte e do funeral; o texto conclui com descendentes e esperança de vida futura.

Recepção e manuscritos

O texto sobrevive em testemunhos gregos e em outras tradições antigas. A edição crítica online registra ainda um fragmento copta antigo e diferenças de versificação entre edições. Por isso, referências externas a capítulos posteriores aos doze daqui podem apontar para o mesmo material em outra divisão. A cena das filhas ganhou atenção particular na pesquisa sobre voz feminina e experiência religiosa na obra; sua posição final não prova, por si, que seja adição de um grupo específico.

Fontes

Dossiê

A história de Jó contada por ele mesmo, no leito de morte, aos filhos — e nela ele sabe desde o começo quem está por trás de tudo, porque foi avisado antes de tudo começar.

De onde vem este texto

Grego, estimado entre o século I a.C. e o I d.C., possivelmente de meio judaico egípcio. Transmitido em grego, eslavo e copta.

Por que não está na Bíblia

Fora de todos os cânones. É reescrita devocional de um livro canônico, gênero que nunca foi candidato a Escritura.

O que você vai encontrar

  • Jó destrói um templo de ídolos por ordem de um anjo, sabendo de antemão o preço que vai pagar — e aceita.
  • A esposa de Jó, que no livro bíblico diz uma frase e some, aqui tem nome, história e uma cena longa em que vende o próprio cabelo por pão.
  • As três filhas recebem, em vez de herança, cintos que lhes dão a língua dos anjos, e o livro termina com elas cantando.
  • Satanás aparece em pessoa, disfarçado de mendigo e de padeiro, e admite a derrota no fim.

Perguntas frequentes

O Testamento de Jó é o livro de Jó?
Não. É uma recontagem posterior, em que Jó narra a própria história aos filhos. O livro canônico é poético e ambíguo; este é narrativo e explica tudo, inclusive quem provocou o quê.

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