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Autoria, data e contexto
José e Asenete amplia a informação de Gênesis 41:45 de que José recebeu por esposa a filha de um sacerdote egípcio. O autor não se identifica. A narrativa se passa no Egito da história de José, mas isso não fornece a data de sua composição. Simon Goldhill registra propostas que vão de uma obra judaica do século II a.C. a um texto cristão do século IV d.C.; não há consenso sobre data ou procedência. Jackie Ahearne-Kroll adverte que reconstruções de um texto original único ocultam diferenças entre testemunhos manuscritos.
Estrutura dos vinte e nove capítulos
Os capítulos 1–9 apresentam Asenete, filha de Pentefres, e a visita de José. Em 10–17, ela rejeita os ídolos, ora e recebe a visita de um mensageiro celeste e o favo de mel. A transformação, o reencontro e o casamento ocupam 18–21. Os capítulos 22–29 seguem uma trama de conspiração do filho de Faraó, ataque à comitiva de Asenete e seu desfecho. Esta divisão acompanha os vinte e nove capítulos do arquivo local.
Temas e passagens-chave
O encontro em 7–8 põe em primeiro plano a separação entre a prática de José e os deuses da casa de Asenete. Sua mudança de conduta ocupa 10–13, com luto e oração antes de qualquer casamento. O favo de mel em 16 sinaliza acolhimento na nova vida descrita pelo relato. Em 23–28, o contraste passa do culto à violência: o filho de Faraó busca Asenete pela força, enquanto ela pede que os agressores sejam poupados. A história desenvolve sobretudo a escolha e a ação de Asenete.
Resumo por partes
1–9: Pentefres recebe José em Heliópolis e deseja casá-lo com a filha. Asenete primeiro despreza a ideia, depois o vê, arrepende-se da atitude e recebe sua bênção, mas José parte.
10–17: Sozinha, Asenete abandona objetos de culto, veste luto e ora ao Deus de José. Um visitante celeste a instrui; o favo de mel e as abelhas marcam a mudança antes que ele desapareça.
18–21: José retorna e encontra Asenete transformada. Pentefres deseja o noivado; José pede a mão dela ao Faraó, e o casamento se realiza.
22–29: Após o período de fartura, Asenete visita Jacó. O filho de Faraó conspira com irmãos de José para tomá-la, e a comitiva é atacada. Benjamim e outros resistem; Asenete intervém para poupar adversários. O filho de Faraó morre, e a obra termina relatando a sucessão no Egito.
Recepção e transmissão
Ernest Walter Brooks publicou em 1918 uma edição e tradução a partir do siríaco, com os mesmos vinte e nove capítulos gerais e um apêndice de passagens ausentes do grego. Ahearne-Kroll descreve famílias textuais e redações distintas, portanto a forma local não deve ser confundida com um autógrafo recuperado. A obra circula como narrativa antiga em torno de personagens de Gênesis; seus episódios de oração, mensageiro e conspiração não pertencem ao relato breve de Gênesis 41:45.
Fontes
- Ernest Walter Brooks, The Book of Joseph and Aseneth (1918).
- Jackie Ahearne-Kroll, Aseneth of Egypt: The Composition of a Jewish Narrative (2020).
- Simon Goldhill, Strange Dogs: Joseph and Aseneth and the Dynamics of Transformation (2020).