E quando o mestre Zaqueu ouviu o menino falar tais e tão grandes alegorias da primeira letra, ficou muito perplexo diante de tal relato e do seu ensino.
2E disse aos que estavam presentes: Ai!
3Eu, miserável que sou, estou perplexo, trazendo vergonha sobre mim mesmo por ter arrastado este menino até aqui.
4Leva-o, pois, rogo-te, irmão José.
5Não suporto a severidade do seu olhar; não consigo entender o seu sentido de modo algum.
6Esse menino não pertence a esta terra; pode domar até o fogo.
7Sem dúvida nasceu antes da criação do mundo.
8Que espécie de ventre o gerou, que espécie de seio o nutriu, eu não sei.
9Ai! meu amigo, ele me arrebatou; não consigo alcançar o seu sentido: três vezes miserável que sou, enganei a mim mesmo.
10Esforcei-me por ter um discípulo, e vi-me com um mestre.
11Minha mente está cheia de vergonha, meus amigos, porque eu, um velho, fui vencido por uma criança.
12Nada me resta senão o abatimento e a morte por causa deste menino, pois não sou capaz, nesta hora, de olhá-lo de frente; e quando todos disserem que fui vencido por uma criancinha, que poderei dizer?
13E como poderei dar conta das linhas da primeira letra de que ele falou?
14Não sei, ó meus amigos; pois não consigo achar nele nem princípio nem fim.
15Portanto, rogo-te, irmão José, leva-o para casa.
16O quão grande ele é, se deus ou anjo, ou o que devo dizer, não sei.