LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Apócrifos

Evangelho de Nicodemos

Atos de Pilatos

29 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Também chamado Atos de Pilatos: o processo de Jesus contado como registro de tribunal, seguido da descida ao Hades e do resgate dos justos. Texto em inglês: The Apocryphal New Testament, Gospel of Nicodemus (Oxford: Clarendon Press, 1924), M. R. James, 1924 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: The Apocryphal New Testament, Gospel of Nicodemus (Oxford: Clarendon Press, 1924), M. R. James (1924) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O prólogo apresenta Ananias como alguém que encontrou memórias em hebraico e as traduziu ao grego (1). Essa é uma reivindicação interna do relato, não prova de um arquivo oficial do julgamento de Jesus. A obra também é conhecida como Atos de Pilatos; o nome Evangelho de Nicodemos aparece em formas latinas expandidas. A pesquisa reunida pela e-Clavis descreve ampla transmissão medieval e versões muito diferentes. Por isso não se deve dar a todos os capítulos desta edição uma única autoria ou data segura.

Estrutura dos vinte e nove capítulos

Em 1–16, o julgamento perante Pilatos, depoimentos sobre Jesus, crucificação, sepultamento e notícias da ressurreição formam os Atos de Pilatos. Os capítulos 17–27 trazem o testemunho de Carino e Leúcio sobre a descida de Cristo ao mundo dos mortos e a libertação dos justos. Os capítulos 28–29 retornam a Pilatos, ao debate com as autoridades e à carta final. Essa divisão acompanha os capítulos que o acervo efetivamente apresenta, sem supor que toda versão antiga tenha o mesmo fecho.

Temas e passagens-chave

Nicodemos defende Jesus diante de Pilatos (5), e pessoas curadas dão testemunho nos capítulos 6–8. José de Arimateia passa de acusado a testemunha das notícias sobre Jesus vivo (12–17). Na segunda parte, a disputa entre Satanás e o Inferno (20–23) precede a entrada de Cristo e a condução de Adão e outros justos (24–26). O texto amplia cenas conhecidas dos evangelhos canônicos e cria diálogos próprios; essa ampliação é a chave para lê-lo como narrativa apócrifa, não como ata romana.

Resumo por partes

1–9: Acusadores apresentam Jesus a Pilatos. Sinais no pretório, a mensagem da esposa do governador, a defesa de Nicodemos e testemunhos de curas complicam a acusação, mas a multidão insiste na condenação.

10–17: Seguem crucificação e sepultamento. José de Arimateia é interrogado; guardas e viajantes relatam acontecimentos posteriores. A narrativa prepara então o depoimento de dois homens ligados à ressurreição de outros mortos.

18–27: Carino e Leúcio descrevem os justos esperando no mundo inferior. Satanás e o Inferno discutem a chegada de Jesus; Cristo abre a passagem, toma Adão pela mão e conduz os libertos ao paraíso. Os testemunhos são entregues e os narradores desaparecem.

28–29: Pilatos reúne autoridades no templo, ouve sua interpretação dos acontecimentos e encerra com uma carta dirigida a Cláudio. O fecho retorna ao quadro político que abriu a primeira parte.

Recepção

A e-Clavis registra muitos manuscritos latinos e grande circulação na Europa medieval. As versões também mudam cenas e ênfases, inclusive o papel de Maria e a imagem de Pilatos. O Evangelho de Nicodemos permanece fora do cânon do Novo Testamento, mas seu relato da descida ao Inferno alimentou tradições narrativas e artísticas cristãs posteriores.

Fontes

Dossiê

Duas partes: o julgamento de Jesus visto de dentro do tribunal, com testemunhas de defesa que os evangelhos não citam — e depois a descida dele ao mundo dos mortos, contada por dois que estavam lá e voltaram.

De onde vem este texto

Também chamado de Atos de Pilatos. A forma que conhecemos é dos séculos IV ou V d.C., em grego e latim, embora haja notícia de textos com esse nome desde o século II. Foi um dos livros mais lidos da Idade Média.

Por que não está na Bíblia

Fora de todos os cânones e listado entre os apócrifos a evitar. Isso não impediu que moldasse a arte, o teatro e a devoção do Ocidente por mil anos.

O que você vai encontrar

  • No julgamento, os estandartes romanos se curvam sozinhos quando Jesus entra, e os soldados que os seguram não conseguem impedir.
  • Testemunhas se levantam para defendê-lo, gente curada por ele que ninguém tinha ouvido antes num tribunal.
  • É o processo visto de dentro: fala a acusação, fala a defesa, e Pilatos entra e sai da sala.
  • A parte que narra a descida ao mundo dos mortos está publicada em separado, no livro Descida ao Inferno deste mesmo acervo.

Perguntas frequentes

O Evangelho de Nicodemos conta a descida de Jesus ao inferno?
Sim, e é a fonte principal dessa tradição. A cena não está em nenhum evangelho canônico; o Credo a resume em uma linha, e este texto é onde ela é narrada.

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