LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Antigo Testamento

Tobias

Tobi

14 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Um cego devoto, um filho em viagem, um cão, um anjo disfarçado e um peixe que cura. Novela judaica antiga sobre providência doméstica, incluída no cânone católico e ortodoxo. Texto em inglês: King James Version, Apocrypha, King James Version translators, 1611 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: King James Version, Apocrypha, King James Version translators (1611) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O Livro de Tobias (ou Tobit) é uma narrativa judaica deuterocanônica de autor anônimo, redigida originariamente em aramaico ou hebraico. Especialistas como Walter Drum na Catholic Encyclopedia e Crawford Howell Toy na Jewish Encyclopedia situam sua composição por volta do século segundo ou terceiro a.C. (entre 225 e 175 a.C.), durante o período helenístico anterior à revolta dos macabeus, embora o enredo histórico esteja ambientado no século oitavo a.C. durante o cativeiro da tribo de Naftali na Assíria.

O texto foi concebido para confortar e instruir as famílias judaicas dispersas entre nações gentílicas pagãs, realçando a santidade inegociável do matrimônio endogâmico, a necessidade das esmolas generosas e a honra sagrada de enterrar clandestinamente os irmãos martirizados em Nínive.

Estrutura

A obra distribui-se em catorze capítulos organizados em dois grandes movimentos dramáticos interligados pela providência divina.

A primeira parte (capítulos 1 a 3) descreve a fidelidade e a cegueira trágica de Tobias, o pai, em Nínive, justaposta ao sofrimento de Sara em Ecbátana, cujos sete maridos anteriores foram mortos na noite nupcial pelo demônio Asmodeu, culminando em orações simultâneas que sobem ao trono divino; a segunda parte (capítulos 4 a 14) acompanha a jornada providencial do jovem Tobias e seu companheiro Azarias (o arcanjo Rafael disfarçado) até a Média para recuperar dez talentos de prata com Gabael, o encontro com o peixe no rio Tigre, o casamento casto com Sara, a expulsão de Asmodeu, a cura miraculosa dos olhos do pai ancião com o fel do peixe, a autorrevelação do anjo e o cântico triunfal de louvor.

Temas e passagens-chave

Os eixos teológicos fulcrais residem na ação invisível da Providência divina em favor dos justos que perseveram na adversidade, no valor expiatório da caridade sincera e do sepultamento dos mortos, na pureza da aliança matrimonial e na mediação dos anjos contra poderes demoníacos. Destaca-se a exortação ética do capítulo quarto, que sintetiza a regra de ouro negativa: 'O que odeias que te façam, não faças a ninguém'.

Manifestando sua verdadeira natureza transcendente diante de pai e filho perplexos no capítulo doze, o emissário celeste proclama solenemente: "I am the angel Raphael, one of the seven who stand before the Lord".

Resumo por partes

As provações dos justos em Nínive e Ecbátana (capítulos 1-3): O piedoso ancião Tobias arrisca a vida para sepultar compatriotas assassinados e perde a visão ao ser atingido por esterco quente enquanto dormia; na Média, Sara suporta as injúrias de servas que a acusam pela morte súbita de seus noivos; ambos clamam a Deus com lágrimas de súplica.

A viagem pedagógica com o guia celeste (capítulos 4-9): O jovem Tobias é enviado a Ragés com instruções morais paternas, contratando Azarias como guia; no Tigre, captura um peixe ameaçador e preserva seu coração, fígado e fel; ao hospedar-se na casa de Raguel em Ecbátana, casa-se com Sara e afugenta o demônio Asmodeu com as brasas perfumadas do fígado do peixe, enquanto Azarias resgata o dinheiro empenhado.

A cura, revelação angélica e esperança futura (capítulos 10-14): Regressando com a noiva, o filho aplica o fel nos olhos do pai, que recupera a vista imediatamente; Azarias recusa pagamento material e revela ser o arcanjo Rafael; Tobias pai entoa um hino à glória da Jerusalém celeste, profetizando antes de morrer a ruína de Nínive e recomendando a mudança para a Média.

Recepção

O Livro de Tobias foi incorporado à Septuaginta grega e reconhecido como canônico e inspirado pela Igreja Católica (definido solenemente nos Concílios de Hipona, Cartago, Florença e Trento) e pela Igreja Ortodoxa, enquanto a tradição protestante o inclui entre os apócrifos e o judaísmo rabínico não o reteve no cânon massorético.

A antiguidade de seu texto semítico foi comprovada no século vinte com a descoberta de fragmentos aramaicos e hebraicos na Caverna 4 de Qumrán (4Q196-4Q200). A tradição manuscrita preserva três recensões gregas principais (sendo o Codex Sinaiticus a mais completa), a Vetus Latina e a tradução latina de São Jerônimo para a Vulgata.

Fontes

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