LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Apócrifos

Inácio aos Magnésios

Pai Apostólico

15 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Texto em inglês: The Apostolic Fathers (London: Macmillan, 1891), Ignatius to the Magnesians, J. B. Lightfoot and J. R. Harmer, 1891 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: The Apostolic Fathers (London: Macmillan, 1891), Ignatius to the Magnesians, J. B. Lightfoot and J. R. Harmer (1891) · domínio público

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Autoria, data e contexto

A saudação identifica o remetente como Inácio, também chamado Teóforo, e a comunidade de Magnésia junto ao Meandro como destinatária. Ele escreve em cadeias, a caminho de Roma, e 15 situa a redação em Esmirna, onde está com representantes de outras igrejas e com Policarpo. A tradição situa a viagem no tempo de Trajano, no início do século II, embora a cronologia exata das cartas seja debatida. A carta conhecida como recensão média integra o conjunto de sete cartas antigas atribuídas a Inácio; não deve ser confundida com as ampliações da recensão longa.

Estrutura dos quinze capítulos

A saudação e os capítulos 1–2 apresentam os enviados magnésios, incluindo o bispo Damas, presbíteros e diácono. Em 3–7, Inácio pede respeito ao bispo jovem e ação comum com presbíteros e diáconos. Os capítulos 8–11 contrapõem a esperança em Cristo às doutrinas que ele chama de antigas e insistem na realidade do nascimento, sofrimento e ressurreição de Jesus. Em 12–15, elogia os destinatários, pede oração pela igreja da Síria e transmite saudações de Esmirna.

Temas e passagens-chave

O problema concreto em 3–4 é honrar Damas apesar de sua juventude e não usar o nome do bispo enquanto se age à parte dele. Em 6–7, uma oração, uma esperança e a reunião em comum exprimem a concórdia que Inácio procura. A discussão de 8–10 sobre judaísmo e o dia do Senhor pertence à polêmica do autor e pede leitura em seu contexto, sem apagar a origem judaica do movimento de Jesus. Em 11, a insistência no nascimento, na paixão e na ressurreição responde ao perigo de negar que esses fatos ocorreram.

Resumo por partes

1–7: Inácio saúda a igreja, recorda a visita de seus representantes e faz da obediência partilhada um remédio para reuniões separadas. A pouca idade de Damas não deve diminuir sua posição na comunidade.

8–11: Ele adverte contra ensinamentos que descreve como estranhos, contrasta práticas antigas com a nova esperança em Cristo e fala da vida segundo o dia do Senhor. Termina declarando reais o nascimento, o sofrimento e a ressurreição de Jesus sob Pôncio Pilatos.

12–15: Mesmo preso, Inácio elogia a modéstia dos magnésios, pede firmeza na fé e no amor e solicita oração pela igreja da Síria. Os efésios presentes em Esmirna e Policarpo enviam saudações.

Recepção e transmissão das cartas

Eusébio conhecia sete cartas atribuídas a Inácio, entre elas a dirigida aos Magnésios. A autenticidade e a forma textual das cartas foram disputadas: a Catholic Encyclopedia descreve tanto a defesa do conjunto de sete quanto a proposta de restringi-lo à versão siríaca abreviada. A recensão média dos quinze capítulos lida aqui é a forma normalmente usada para estudar essa carta; a existência de versões ampliadas exige distinguir texto transmitido e interpolações posteriores.

Fontes

Dossiê

A carta em que Inácio pede à igreja de Magnésia que não se deixe levar por doutrinas velhas — e registra, de passagem, a mudança do sábado para o dia do Senhor.

De onde vem este texto

Grego, por volta de 107-110 d.C., escrita no mesmo trajeto das outras seis.

Por que não está na Bíblia

Literatura patrística, fora de qualquer cânone.

O que você vai encontrar

  • A passagem sobre viver não mais segundo o sábado, mas segundo o dia do Senhor, é uma das mais antigas menções cristãs ao domingo.
  • Inácio insiste que a juventude do bispo local não diminui sua autoridade.
  • O aviso contra o judaísmo praticado sem Cristo é feito sem hostilidade ao povo judeu, o que o distingue de textos posteriores.

Perguntas frequentes

Esta carta prova que os cristãos já guardavam o domingo no século II?
É um dos testemunhos mais antigos nesse sentido. A frase é breve e a tradução do trecho é discutida, mas a leitura corrente é que a comunidade já organizava a semana em torno do dia do Senhor.

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