LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Apócrifos

4 Baruque

Paralipômenos de Jeremias

9 capítulos · leitura e narração

Capítulos

Nota de leitura

Texto apócrifo ou pseudepígrafo — não faz parte do cânone das igrejas ocidentais, mas circulou amplamente entre judeus e cristãos antigos. Tradução do Lux Veritas (inglês, português e espanhol) feita a partir do texto em grego de The Rest of the Words of Baruch (London: C. J. Clay and Sons), J. Rendel Harris, 1889 (domínio público).

Fonte: The Rest of the Words of Baruch (London: C. J. Clay and Sons), J. Rendel Harris (1889) · domínio público · Tradução do Lux Veritas

Conhecer o livro: contexto, autoria e temas ↓

Ouvir este estudo

 

Autoria, data e contexto

4 Baruque também circula com o título grego Paralipômenos de Jeremias; na tradição etíope aparece como Resto das Palavras de Baruque. Não é uma obra escrita pelo Baruque histórico: transforma Jeremias, seu escriba e Abimeleque em personagens de uma narrativa posterior sobre a queda e a restauração de Jerusalém. James Charlesworth propôs uma composição original na primeira metade do século II d.C.; J. Riaud considerou excessivamente precisa a data de 136 d.C. sugerida por J. R. Harris. Essas propostas discutem a composição da obra, não a época babilônica em que o enredo se situa.

Estrutura dos nove capítulos

Nos capítulos 1–4, Jeremias recebe o anúncio da queda, objetos do templo são escondidos e a cidade é entregue aos caldeus. O capítulo 5 acompanha o sono de Abimeleque e seu despertar sessenta e seis anos depois. Os capítulos 6–7 reúnem os figos ainda frescos, a correspondência levada por uma águia e a esperança de regresso. No capítulo 8, o retorno passa pelo Jordão e parte do povo é separada. O capítulo 9 conclui com sacrifício, visão, morte e sepultamento de Jeremias. Essa é a divisão do texto apresentado neste acervo.

Temas e passagens-chave

A queda de Jerusalém em 3–4 é narrada como juízo, mas Jeremias continua a interceder pelo povo. O sono de Abimeleque em 5 e os figos preservados em 6 tornam visível, dentro da história, a passagem de décadas e a possibilidade de retorno. A águia que transporta a carta em 7 liga Baruque, deixado junto à cidade, a Jeremias entre os exilados. A travessia do Jordão em 8 faz do regresso uma escolha de separação das práticas babilônicas. O final do capítulo 9 contém linguagem cristã sobre Cristo; esse traço precisa ser distinguido do cenário judaico e da discussão sobre camadas da composição.

Resumo por partes

1–4: Deus anuncia a Jeremias que os caldeus entrarão em Jerusalém. O profeta e Baruque lamentam; anjos intervêm na cena da cidade e os objetos sagrados são guardados. Abimeleque sai para buscar figos para os enfermos. Quando o exército chega, o povo é levado cativo e Jeremias o acompanha, enquanto Baruque permanece junto à cidade.

5–7: Abimeleque desperta depois de sessenta e seis anos e descobre que os figos não apodreceram. Encontra Baruque, que recebe a instrução de escrever a Jeremias. Uma águia leva a mensagem aos exilados e traz resposta; os figos são repartidos entre os doentes.

8–9: Jeremias convoca o povo a deixar as práticas da Babilônia e a passar pelo Jordão. Alguns retornam e fundam Samaria, segundo a explicação própria da narrativa. Em Jerusalém há dias de sacrifício; Jeremias parece morrer, volta à vida após três dias e anuncia Cristo. O povo o apedreja, e Baruque e Abimeleque o sepultam.

Recepção, cânon e testemunhos

O nome da obra varia entre a tradição grega, centrada em Jeremias, e a etíope, que destaca Baruque. Uma edição etíope histórica foi publicada por August Dillmann em 1866 e disponibilizada em reprodução textual pela Universidade de Tel Aviv. Essa transmissão mostra que o texto continuou a ser copiado fora das coleções bíblicas ocidentais habituais. 4 Baruque não deve ser confundido com o livro de Baruque deste acervo nem com 2 ou 3 Baruque. O final cristão transmitido no capítulo 9 também impede tratar todas as partes como se tivessem origem e recepção idênticas.

Fontes

Dossiê

A história de Abimeleque, que adormece à sombra de uma árvore e acorda sessenta e seis anos depois, com os figos ainda frescos no cesto, sem saber que o exílio começou e terminou enquanto dormia.

De onde vem este texto

Escrito provavelmente no século II d.C., em grego, com camada cristã final acrescentada a um texto judaico anterior. Também é chamado de Paralipômenos de Jeremias, isto é, as coisas omitidas de Jeremias. Circulou em etíope, armênio e eslavo.

Por que não está na Bíblia

Fora dos cânones. O acréscimo cristão do capítulo final, com Jeremias anunciando Cristo e sendo apedrejado, deixa clara a mão que o transmitiu, mas não lhe deu lugar em lista alguma.

O que você vai encontrar

  • O sono de sessenta e seis anos de Abimeleque, um dos mais antigos contos do tipo na literatura ocidental.
  • A águia que leva cartas entre Jerusalém e a Babilônia e ressuscita um morto para provar que fala em nome de Deus.
  • Os vasos do Templo entregues à terra para guarda até a volta do povo.
  • A separação dos que casaram com babilônias na volta do exílio, e a cidade que eles fundam: Samaria.

Perguntas frequentes

O que significa Paralipômenos de Jeremias?
É o outro nome de 4 Baruque, e quer dizer as coisas deixadas de fora de Jeremias — o livro se apresenta como o complemento do que o profeta não contou.

Leia também

↑ Voltar aos capítulos