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Autoria, data e contexto
A Ascensão de Isaías apresenta o profeta da corte de Ezequias como testemunha de sua própria morte e de uma viagem aos céus. Não é uma autobiografia comprovada do Isaías histórico. Toy e Littmann, na Jewish Encyclopedia, distinguem tradições do martírio, um anúncio cristão ligado a Ezequias e a visão celeste. Brown e Butts observam que a pesquisa atual não alcançou consenso sobre data, composição ou lugar de origem; uma proposta situa o conjunto no século II d.C. e na Síria, mas ela é discutida. O cenário narrativo dos reis de Judá não estabelece a data de redação.
Estrutura dos onze capítulos
Os capítulos 1–5 enquadram a sucessão de Ezequias por Manassés, a oposição de Belquira e o martírio de Isaías, com uma seção de anúncio escatológico em 3–4. Em 6, uma visão recebida diante de Ezequias abre a segunda parte. Os capítulos 7–9 acompanham a subida por céus sucessivos; 10–11 narram a descida do Amado, sua ação no mundo e o retorno da visão. A divisão em martírio (1–5) e visão (6–11) corresponde aos onze capítulos locais.
Temas e passagens-chave
Em 2–3, o governo de Manassés e a acusação de Belquira põem a fidelidade profética sob ameaça. O capítulo 5 descreve a morte de Isaías por uma serra, como parte da tradição da obra. A viagem de 7–9 diferencia os céus e a glória de seus habitantes; no sétimo, Isaías contempla o Amado. Os capítulos 10–11 descrevem sua descida através dos céus e a história de Jesus segundo essa visão. A sequência combina memória judaica de perseguição e interpretação cristã da salvação.
Resumo por partes
1–3: Ezequias transmite instruções a Manassés, mas Isaías prevê que o novo rei se afastará delas. Sob Manassés, Belquira acusa o profeta, que se retira com outros justos; a narrativa passa a anúncios sobre a futura comunidade.
4–5: A visão fala de perseguição e julgamento. Manassés manda prender Isaías; o profeta mantém sua mensagem e é serrado, enquanto o texto relaciona sua morte à oposição de Beliar.
6–9: Diante de Ezequias, Isaías entra em êxtase e é guiado por um anjo. Sobe pelos céus, observa diferenças de glória e chega ao sétimo, onde contempla figuras justas e a posição do Amado.
10–11: Isaías assiste à descida do Amado, à sua presença entre os humanos, à morte e à exaltação. A visão termina e o relato retorna ao destino do profeta sob Manassés.
Recepção e manuscritos
A Jewish Encyclopedia registra a obra completa em etíope e partes em grego, latim e eslavônico, com relações textuais complexas. Sua análise antiga separava estratos judaicos e cristãos; a apresentação de Brown e Butts lembra que até essa reconstrução é discutida. Por isso, um episódio do martírio e uma cena da viagem celeste não precisam ter a mesma história de composição, embora sejam lidos juntos no arquivo deste site.
Fontes
- Crawford Howell Toy e Enno Littmann, Isaiah, Ascension of (1906).
- Dexter Brown e Aaron Michael Butts, Ascension of Isaiah 6–11 (Ethiopic Version) (2022).