Ouvir este estudo
Autoria, data e contexto
O Apocalipse de Paulo apresenta uma viagem do apóstolo pelo além a partir da referência ao terceiro céu em 2 Coríntios 12. A atribuição a Paulo é literária; o autor não é identificado. M. R. James, ao editar uma tradução em 1924, distingue esta obra de outro escrito atribuído ao apóstolo e discute sua transmissão em versões. A narrativa pertence à literatura cristã apocalíptica tardia, não às cartas paulinas do Novo Testamento.
Estrutura dos 51 capítulos
A versão local contém 51 capítulos. Em 1–10, uma história de descoberta introduz a revelação e as criaturas denunciam o pecado humano. Os capítulos 11–19 acompanham anjos e almas após a morte. Em 20–30, Paulo vê a cidade e os lugares dos justos. Os castigos e a súplica por alívio ocupam 31–44; 45–51 retornam ao paraíso e apresentam figuras bíblicas.
Temas e passagens-chave
Em 3–7, sol, lua, estrelas e mar queixam-se da conduta humana: a criação serve como testemunha moral. Os capítulos 14–18 contrapõem o destino de almas justas e pecadoras. A visita aos rios em 22–28 organiza grupos de habitantes do paraíso. Em 43–44, o choro de Paulo e dos condenados leva a uma concessão de descanso; trata-se de uma cena da narrativa, não de uma doutrina expressa nas cartas autênticas do apóstolo.
Resumo por partes
1–19: A descoberta do escrito conduz ao relato de Paulo. Um anjo explica a reação da criação ao pecado e mostra a saída de almas do corpo e seu julgamento.
20–30: Paulo entra no paraíso, observa rios de leite, mel, vinho e óleo, encontra grupos de justos e é conduzido pela cidade.
31–44: O guia mostra o rio de fogo e punições associadas a condutas concretas, inclusive abusos de líderes religiosos. Paulo intercede; a cena culmina numa pausa dos tormentos.
45–51: De volta ao paraíso, Paulo encontra Maria, patriarcas, Moisés e profetas. O texto local termina com o testemunho de Elias.
Recepção e transmissão
James traduziu uma tradição textual com testemunhos latinos e comparou passagens gregas, siríacas e coptas; as versões não são idênticas. Sua introdução registra circulação e alterações do relato. O texto é apócrifo: o nome de Paulo funciona como autoridade narrativa, mas a viagem detalhada não pertence a 2 Coríntios. Os 51 capítulos aqui citados correspondem à organização da edição local.
Fontes
- M. R. James, The Apocalypse of Paul, in The Apocryphal New Testament (1924).