LUX VERITAS

Biblioteca de Textos Sagrados

Apócrifos

Apocalipse de Paulo

Visio Pauli

51 capítulos · leitura e narração

Nota de leitura

Viagem guiada pelo paraíso e pelos castigos, com um dia de descanso concedido aos condenados. Influenciou diretamente a Divina Comédia. Texto em inglês: Ante-Nicene Fathers, vol. 9, The Vision of Paul (Buffalo: Christian Literature Publishing Co.), Andrew Rutherfurd, 1896 (domínio público). Português e espanhol: tradução do Lux Veritas a partir dessa edição.

Fonte: Ante-Nicene Fathers, vol. 9, The Vision of Paul (Buffalo: Christian Literature Publishing Co.), Andrew Rutherfurd (1896) · domínio público

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Autoria, data e contexto

O Apocalipse de Paulo apresenta uma viagem do apóstolo pelo além a partir da referência ao terceiro céu em 2 Coríntios 12. A atribuição a Paulo é literária; o autor não é identificado. M. R. James, ao editar uma tradução em 1924, distingue esta obra de outro escrito atribuído ao apóstolo e discute sua transmissão em versões. A narrativa pertence à literatura cristã apocalíptica tardia, não às cartas paulinas do Novo Testamento.

Estrutura dos 51 capítulos

A versão local contém 51 capítulos. Em 1–10, uma história de descoberta introduz a revelação e as criaturas denunciam o pecado humano. Os capítulos 11–19 acompanham anjos e almas após a morte. Em 20–30, Paulo vê a cidade e os lugares dos justos. Os castigos e a súplica por alívio ocupam 31–44; 45–51 retornam ao paraíso e apresentam figuras bíblicas.

Temas e passagens-chave

Em 3–7, sol, lua, estrelas e mar queixam-se da conduta humana: a criação serve como testemunha moral. Os capítulos 14–18 contrapõem o destino de almas justas e pecadoras. A visita aos rios em 22–28 organiza grupos de habitantes do paraíso. Em 43–44, o choro de Paulo e dos condenados leva a uma concessão de descanso; trata-se de uma cena da narrativa, não de uma doutrina expressa nas cartas autênticas do apóstolo.

Resumo por partes

1–19: A descoberta do escrito conduz ao relato de Paulo. Um anjo explica a reação da criação ao pecado e mostra a saída de almas do corpo e seu julgamento.

20–30: Paulo entra no paraíso, observa rios de leite, mel, vinho e óleo, encontra grupos de justos e é conduzido pela cidade.

31–44: O guia mostra o rio de fogo e punições associadas a condutas concretas, inclusive abusos de líderes religiosos. Paulo intercede; a cena culmina numa pausa dos tormentos.

45–51: De volta ao paraíso, Paulo encontra Maria, patriarcas, Moisés e profetas. O texto local termina com o testemunho de Elias.

Recepção e transmissão

James traduziu uma tradição textual com testemunhos latinos e comparou passagens gregas, siríacas e coptas; as versões não são idênticas. Sua introdução registra circulação e alterações do relato. O texto é apócrifo: o nome de Paulo funciona como autoridade narrativa, mas a viagem detalhada não pertence a 2 Coríntios. Os 51 capítulos aqui citados correspondem à organização da edição local.

Fontes

Dossiê

A viagem de Paulo ao terceiro céu, escrita para preencher o que ele se recusou a contar em 2 Coríntios: o que exatamente viu quando foi arrebatado.

De onde vem este texto

Escrito por volta do século IV d.C., em grego, e conhecido em latim como Visio Pauli. Sobreviveu em latim, siríaco, copta, armênio, eslavo e etíope, com diferenças grandes entre as versões — sinal de quanto o texto foi lido e reescrito ao longo da Idade Média.

Por que não está na Bíblia

Nunca foi cânone. Agostinho o criticou diretamente, observando que Paulo diz ter ouvido palavras que não é lícito repetir — e que, portanto, um livro que as repete não pode ser dele.

O que você vai encontrar

  • A saída da alma do corpo é narrada duas vezes: a do justo e a do pecador, com os anjos de cada um prestando contas.
  • O rio de fogo com pessoas mergulhadas em profundidades diferentes conforme a culpa.
  • O descanso dominical dos condenados, concedido a pedido de Paulo e do arcanjo Miguel.
  • A geografia do paraíso, com os quatro rios e as cidades de Cristo, que atravessou a imaginação medieval inteira.

Perguntas frequentes

O Apocalipse de Paulo foi escrito pelo apóstolo Paulo?
Não. É pseudepígrafo, do século IV, escrito para desenvolver o que 2 Coríntios 12 deixa em aberto sobre o arrebatamento ao terceiro céu.
Esse livro influenciou a Divina Comédia?
É a leitura corrente dos estudiosos. A visão medieval de inferno organizado por categorias de pecado deve muito à tradição que este texto inaugura, e Dante menciona a viagem de Paulo logo no primeiro canto do Inferno.

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